Jason Lee/Reuters
Jason Lee/Reuters

Poluição provoca morte de mais de 1,7 milhão de crianças por ano, diz OMS

Organização apresentou dois estudos que mostram efeitos nocivos provocados por contaminação do ar, exposição a produtos químicos e falta de saneamento

O Estado de S.Paulo

06 Março 2017 | 10h08

GENEBRA - Mais de 1,7 milhão de crianças menores de 5 anos morrem ao ano por doenças provocadas pela contaminação do ar, as deficiências no fornecimento de água, a exposição a produtos químicos e a falta de saúde e higiene, denunciou nesta segunda-feira, 6, a Organização Mundial da Saúde (OMS).

A agência da ONU apresentou dois estudos que abordam a relação entre a saúde dos mais jovens e o entorno que os rodeia: Herdando um mundo sustentável: atlas sobre a saúde das crianças e o meio ambiente; e Não contamine meu futuro

Com os relatórios, a OMS quer transmitir a mensagem que a redução dos fatores ambientais de risco poderia evitar essas mortes.

"Um entorno contaminado é um entorno mortífero para as crianças", disse a diretora-geral da OMS, Margaret Chan.

Chan lembrou que as crianças com menos de 5 anos são especialmente vulneráveis às ameaças do entorno que os rodeia porque seus órgãos e seu sistema imunológico estão em desenvolvimento.

As infecções respiratórias (32%), os diferentes tipos de diarreias (22%), as afecções neonatais (15%) e as doenças transmitidas por vetores ou parasitas (12%) são as principais causas das mortes causadas por fatores ambientais.

Doenças respiratórias. Segundo um dos relatórios, pelo menos 5,7 mil crianças morrem anualmente por doenças respiratórias, a maioria por casos de pneumonia, provocada e agravada pela poluição do ar, tanto fora como dentro das casas.

"O uso de combustíveis como o carvão ou estrume principalmente para tarefas domésticas é ainda uma prática comum entre metade da população mundial", declarou a diretora do Departamento de Saúde Pública da OMS, Maria Neira.

Além disso, a poluição do ar e a exposição à fumaça como fumante passivo aumentam o risco de padecer de patologias cardíacas, derrames cerebrais, câncer ou doenças respiratórias crônicas, como a asma.

O estudo prova que 44% dos casos de asma em crianças maiores de cinco anos é uma consequência direta da poluição atmosférica.

Apesar da queda do número total de mortes infantis por doenças diarreicas nos últimos anos, ainda custam a vida de 360 mil crianças a cada ano, como resultado de um acesso limitado à água potável e saneamento e higiene inadequados.

Segundo a OMS, 270 mil crianças com menos de 5 anos não superam o primeiro mês de vida por problemas neonatais que poderiam ser prevenidas com uma melhoria dos serviços sanitários.

A organização lembrou que as exposições a agentes ambientais começam na vida intrauterina e podem ter efeitos para toda a vida.

Neste sentido, são especialmente perigosos para os cérebros em desenvolvimento dos bebês os metais pesados como o mercúrio ou o chumbo, afirmou a cientista Annette Prüss-Ustün.

Os relatórios revelam ainda que 200 mil casos de morte infantil por malária poderiam ser evitados graças à redução de criadouros de mosquitos, que transmitem o vírus, com a distribuição de mosquiteiros e cobrindo os recipientes de água dos domicílios.

Além disso, a OMS ressaltou que, a cada ano, 200 mil crianças com menos de 5 anos perdem a vida por culpa de quedas, acidentes de trânsito, envenenamentos por várias substâncias, incêndios ou por afogamento.

Os dados apresentados nesta segunda-feira mostram que mais da metade das infecções respiratórias das vias inferiores e das doenças diarreicas são causadas por fatores ambientais, enquanto no caso da malária a proporção é de 42%.

A maioria das mortes causadas por fatores ambientais ocorrem nos países em vias de desenvolvimento, onde, por exemplo, a poluição ambiental causa mais da metade as infecções respiratórias das vias inferiores nos mais novos.

Desigualdade. Nos países com rendas mais altas, onde a contaminação tende a ser inferior, apenas 13% das infecções respiratórias têm uma relação direta com a poluição ambiental.

Outro fator de risco é, segundo a OMS, a proximidade de resíduos perigosos, um problema especialmente grave na África Subsaariana e que expõe as crianças a toxinas que podem diminuir suas funções cerebrais, causar déficit de atenção, danos pulmonares ou câncer.

Esta é uma tendência preocupante para a OMS, que prevê que a produção de resíduos elétricos e eletrônicos aumente e chegue ao número de 50 toneladas métricas em 2018, o que representa um aumento de 19% em comparação com 2014. /EFE

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