Camada de poluição na cidade de São Paulo
Camada de poluição na cidade de São Paulo

Poluição do ar em SP é duas vezes superior aos níveis aceitáveis pela OMS

Situação do Rio de Janeiro é pior que a da capital paulista

Jamil Chade, Correspondente de O Estado de S. Paulo

07 Maio 2014 | 16h04

Atualizada às 20h45

GENEBRA - Os índices de poluição em São Paulo são duas vezes superiores ao teto estabelecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para considerar a qualidade do ar aceitável. Os dados fazem parte de um levantamento publicado nesta quarta-feira, 7, e que analisa a situação de 1,6 mil cidades ao redor do mundo.

A OMS deixa claro que os dados de cada cidade não podem ser comparados para a elaboração de um ranking, já que o sistema de medição é distinto, assim como o ano usado como base. O levantamento se concentra na avaliação das partículas PM 2,5, as menores e com o maior potencial de afetar diretamente os pulmões.

Para a entidade, uma cidade somente pode considerar que tem um ar limpo se apresenta uma média de, no máximo, 10 microgramas de PM 2,5 por metro cúbico. Qualquer valor acima representa riscos para a saúde. Para São Paulo, a taxa seria de 19 microgramas de PM 2,5 por metro cúbico (dados de 2012) - quase duas vezes o limite definido pela OMS.

A Cetesb divulgou também nesta quarta-feira relatório referente a 2013 no qual afirma que houve uma leve queda nas médias anuais do MP 2,5, em relação ao ano anterior. O relatório não traz um valor único para a capital, mas as médias por ponto de coleta de amostras.

A Cidade Universitária foi a que teve os menores índices de São Paulo, com média anual de 15 microgramas de MP 2,5 por metro cúbico. Já Pinheiros registrou uma taxa de 18; Congonhas, de 20; Parelheiros, de 22; e a Marginal do Tietê, na altura da Ponte dos Remédios, de 27.

Plano de redução. Carlos Komatsu, gerente do departamento de Qualidade Ambiental da Cetesb, reconheceu que a cidade está ainda bem longe de atingir os padrões recomendados pela OMS. Um plano de redução da poluição está previsto para ser elaborado até o meio do ano, com adoção em três anos. Inicialmente serão colocadas três metas intermediárias, ainda inferiores ao recomendado pela OMS. Só depois de atingi-las vai tentar-se baixar ao nível ideal.

De acordo com a Cetesb, as concentrações de dióxido de enxofre e monóxido de carbono registrados na Região Metropolitana ficaram entre os mais baixos da década.

Outras capitais. No levantamento da OMS, a qualidade do ar do Rio de Janeiro aparece em pior situação que a de São Paulo. Dados de 2010 revelaram uma taxa de mais de três vezes os patamares estabelecidos pela entidade, com 36 microgramas. Informações de 2011 apontam que Belo Horizonte registrou uma taxa de 28, contra 17 de Curitiba e 16 de Vitória. No caso de Salvador, a taxa é de 9 microgramas de PM 2,5 por metro cúbico - é a única metrópoles brasileiras abaixo do teto da OMS.

A OMS também avaliou a situação no interior do Estado de São Paulo. Em Sorocaba, a taxa é de 17 microgramas de PM 2,5 por metro cúbico; em Americana, de 18; em Araçatuba, de 21; e em Jundiaí e Ribeirão Preto, de 16.

No restante da América Latina, a situação não é nada confortável. Em Lima, por exemplo, a taxa é de 38 microgramas, uma das cidades com a pior qualidade do ar entre as capitais regionais.

Mortes. Segundo a OMS, mais de 7 milhões de pessoas morrem anualmente por causa da contaminação do ar. Apenas 12% da população mundial vive em cidades consideradas com um ar limpo, e metade dos habitantes do planeta está em locais onde as taxas de poluição são mais de duas vezes a taxa considerada como razoável pela OMS.

As estatísticas mostras que uma a cada oito mortes no mundo está relacionada com a exposição a ambientes contaminados. / COLABOROU GIOVANA GIRARDI

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