Político fecha 1.500 empresas emissoras de poluentes em Tangshan, na China

Huang: ‘Mesmo tendo fechado tantas empresas, o PIB do município dobrou duas vezes nos últimos cinco anos’

AP

13 de setembro de 2010 | 16h23

Quando se trata de galgar degraus na escada burocrática chinesa, fechar fábricas para cortar emissões de gases de efeito estufa pode ser um bom impulso na carreira de alguns políticos.

 

Como vice-prefeito de Tangshan, no nordeste da China, Huang Huikang tornou a eficiência energética uma de suas maiores prioridades, tomando medidas agressivas para refrear as emissões de gases causadores de efeito estufa das muitas fábricas da cidade. Hoje, ele é o representante da China para mudanças climáticas, negociando com autoridades de vários países do mundo.

 

O próprio Huang explica que ele e seus colegas conseguiram, ao menos em uma cidade, cumprir o desafio de reduzir emissões ao mesmo tempo em que promovem rápido crescimento econômico. Eles não fecharam simplesmente as fábricas na cidade, um grande centro produtor de cimento e aço, mas substituíram suas plantas poluentes por outras, que utilizam energia mais limpa. É claro que realizar essas mudanças por sanção governamental é mais fácil num país onde as autoridades não enfrentam eleições democráticas.

 

"Nós fechamos 1.500 empresas muito poluentes", diz Huang, acrescentando que mesmo tendo tomado essa medida, o Produto Interno Bruto (PIB) do município dobrou duas vezes nos últimos cinco anos, chegando a US$ 400 milhões.

 

Nos EUA, muitos políticos estão relutantes em impor restrições mandatórias para reduzir emissões de gases que aumentam o efeito estufa, temendo uma reação política. Mas o governo chinês começou a fazer progressos para reduzir seu índice de emissões ao responsabilizar funcionários em nível local e provincial - e também os mil maiores emissores da nação.

 

Em alguns casos o governo chinês está se ancorando em medidas paliativas para conseguir cumprir a meta de aumentar a eficiência energética por unidade de atividade econômica.

 

Na campanha que começou em agosto, alguns governos provinciais têm orientado as siderúrgicas a trabalhas nove dias seguidos e folgar cinco, ou cortar o suprimento de energia das fábricas de cimento por alguns períodos, ameaçando expor publicamente as fábricas que desafiarem as novas regras.

 

Mas a ausência de um padrão nacional de contabilidade para as emissões torna difícil saber quanto progresso já foi feito.

 

Ranping Song, gerente do programa da World Resources Institute que trabalha com contabilidade de gases causadores do efeito estufa disse que seu grupo - e outros - estão tentando trazer a China para o âmbito dos parâmetros internacionais, mas permanece nebuloso se as companhias vão divulgar seus dados publicamente e como podem ser responsabilizadas se não cumprirem suas metas. "É provável que seja difícil para o governo conseguir a informação certa para tomar as decisões corretas", disse ele.

 

Sem um sistema transparente e comparável de baixar as emissões globais, o presidente do Centro de Políticas para o Ar Limpo, Ned Helme, avisa: "Há sempre o risco de que algumas pessoas não façam o que deveriam e de que o planeta esteja longe de 'ser um bem comum global'".

 

Os desafios da China foram visíveis durante uma recente visita ao quartel-general da petroquímica Sinopec Shanghai, uma das maiores produtoras de químicos, plástico e óleo refinado do país. Funcionários disseram que estavam reduzindo a emissão relativa de carbono, mas não poderiam revelar as estatísticas e que o governo - não a companhia - rastreia esses dados. Entree 2009 e 2010 Sinopec Shanghai aumentou sua produção de óleo refnado de 8.7 para 10.7 milhões de toneladas, número que deve crescer nos próximos anos.

 

"É um paradoxo, na verdade, em termos de processo tecnológico de produção. De certa forma, você precisa produzir mais dióxido de carbono", disse Gao Jinping, presidente do comitê supervisor da companhia. Mas ele acrescenta que a empresa tornou-se mais eficiente e priorizou as considerações ambientais. "Estamos certos de que podemos cumprir a demanda do governo por redução de emissões".

 

Alex Wang, diretor do Projeto de Direito Ambiental do Conselho de Defesa dos Recursos Naturais baseado em Pequim, afirma: "Nem os EUA nem a China estão fazendo esforço suficiente para combater os riscos do efeito global. Mas temos visto muitas razões para frustração nos EUA. Na China, sob a perspectiva política, há um grande avenço acontecendo."

 

A China é o país com o maior número de projetos no Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) no mundo e derevá receber negociadores de mais de 200 países a partir do dia 4 de outubro, em Tianjin, para a última rodada de discussões que antecedem a COP 16, no México.

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