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‘Pode sair um bom resultado’, diz Klink sobre a COP-21

Secretário que participa das negociações do clima mostra otimismo: ‘Notei claramente que há um engajamento muito forte’

Entrevista com

Carlos Klink, secretário nacional de Mudanças Climáticas

Andrei Netto, Correspondente/O Estado de S. Paulo

21 Maio 2015 | 03h00

PARIS - Ainda sem apresentar ao mundo sua “contribuição nacional” para reduzir as emissões de gases de efeito estufa, o governo brasileiro vê com otimismo as chances de um acordo climático na 21.ª Conferência do Clima (COP-21) das Nações Unidas, que começa no dia 30 de novembro, em Paris.

A avaliação foi feita ao Estado pelo secretário nacional de Mudanças Climáticas, Carlos Klink, que participou de uma conferência sobre negócios e o clima, em Paris.

No evento, o presidente da França, François Hollande, anfitrião da COP-21, destacou o papel dos países emergentes - por isso a importância do Brasil - e afirmou que ainda há riscos de fracasso. “É preciso que tenhamos nesta conferência uma soma de engajamentos. “Entender-se entre 196 (países) é quase um milagre”, afirmou Hollande.

A seguir, os principais trechos da entrevista que Klink concedeu ao Estado:


A respeito desses três dias de eventos na Europa, ao que parece a França, anfitriã da Conferência do Clima, e a Alemanha tentam acelerar as discussões...

Notei claramente um engajamento muito forte. Havia 35 ministros de vários países, incluindo os pequenos, no Diálogo de Petersberg, em Berlim. Falou-se de tudo: de adaptação, mitigação, etc. Nas falas de Angela Merkel e François Hollande vi a posição europeia muito forte. A França tem uma responsabilidade, e Hollande ressaltou o risco de um fracasso político. Talvez por isso o governo francês esteja decidido a pressionar por um acordo que valha para todo mundo, com o que nós concordamos. Pela primeira vez vimos uma convergência muito forte para a impressão de que de Paris pode sair um bom resultado.

Hollande ressaltou a preocupação com o fato de que apenas 37 países terem apresentado as “contribuições nacionais”. O senhor acha que é um problema?

Não estaria tão preocupado, mas ele está no seu papel, de fazer pressão, enviar um sinal político. Em outubro, a Convenção das Nações Unidas terá de pegar essas contribuições e transformá-las em números. Mas por que não estou preocupado? Porque nas negociações fazemos muitas reuniões bilaterais. Em Berlim, conversamos profundamente com os franceses, os alemães, os americanos, os chineses e com países pequenos. Há, claramente, um compromisso dos países em suas preparações. Eu veria de uma forma mais positiva que Hollande.

O senhor diria que é uma estratégia do Brasil postergar a entrega de suas contribuições nacionais à Convenção do Clima?

Não estamos postergando, mas construindo a melhor contribuição possível com os atores nacionais. Isso vai afetar a vida de todos os atores.

Mas o Brasil não poderia estar ajudando a pautar as contribuições nacionais de outros países?

O Brasil está pautando com os números que estamos mostrando. Os dados de redução de emissões são imbatíveis. Um ano de queda de desmatamento equivale às emissões de um grande país industrializado da Europa. Não tem como o Brasil não influenciar. O que estamos mostrando é que não se trata mais apenas de uma questão de desmatamento. Qual é a visão que temos? Qual caminho vamos desenhar para o País em 2030, 2040 e 2050. É isso que está em jogo.

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