Marcos de Paula/AE
Marcos de Paula/AE

Pnuma deve virar agência, prevê diretor programa da ONU para meio ambiente

Achim Steiner pressiona Brasil; para País, órgão de desenvolvimento sustentável seria melhor

Tiago Rogero - O Estado de S. Paulo

15 Junho 2012 | 23h00

RIO - Apesar da resistência de países como Brasil, o diretor executivo do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), Achim Steiner, disse na sexta-feira, 15, que confia na transformação do órgão em uma agência independente – nos moldes da Organização Mundial do Comércio (OMC) – até o fim da Rio+20. A alteração é um dos principais pontos de impasse entre os negociadores. Para Steiner, no entanto, a "evolução" do Pnuma é um dos "resultados potenciais" da Rio+20.

 

A ideia foi lançada por países europeus e ganhou o apoio de nações africanas – a sede fica em Nairóbi, no Quênia. A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, já afirmou que a prioridade é fortalecer o Pnuma – com orçamento fixo, por exemplo; e não mais com base em doações –, mas não o transformar em agência, processo que "não é tão simples". O Brasil defende a criação de uma entidade com foco em desenvolvimento sustentável, não só em meio ambiente.

 

Na sexta, o diretor do Pnuma colocou pressão sobre o País. "É uma negociação. O papel principal do Brasil é dar liderança e facilitar consenso. O governo brasileiro mandou um sinal de que está aberto para ajudar nesse papel", disse. "Há vozes diferentes, de partes diferentes do governo", reconheceu. Mas frisou: "Não é uma posição nacional que vai determinar a posição da comunidade internacional". Steiner tem afirmado que a transformação na agência conta com o apoio de mais de 140 países. Segundo ele, não há nenhuma nação no mundo que seja contra a "evolução" do Pnuma, "mas há perspectivas diferentes".

 

Crise. O diretor do Pnuma evitou creditar à crise econômica europeia um eventual fracasso da Rio+20. "Claramente, a situação da Europa é um desafio, no contexto local e também no papel deles na política internacional, mas não se trata de algo absoluto, tampouco para todo o futuro", afirmou. Os negociadores, para Steiner, têm de encontrar uma forma de reconhecer os atuais problemas, sem esquecer que eles poderão já não mais existir em "2015 ou 2020".

 

"Estamos aqui, o mundo está no Rio", disse Steiner – nascido no Brasil e criado na Alemanha. "Vamos olhar à frente e a pergunta é: quais são os resultados que vão provar ao mundo que esta reunião terá valor para a próxima geração?"

 

O diretor do Pnuma defendeu a criação do fundo de US$ 30 bilhões ao ano para financiar o desenvolvimento sustentável – que pode ficar só no papel por causa da crise. Para Steiner, seria uma forma de facilitar o acesso dos países de América Latina e África às novas tecnologias. 

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