Plano para floresta precisa de verba para salvar espécies-estudo

Um esquema da ONU para reduzir as emissões causadas pela destruição das florestas nos países pobres pode apressar a extinção de algumas espécies se não contiver mecanismos para disseminar os investimentos em muitos países, segundo um estudo divulgado na sexta-feira.

DAVID FOGARTY, REUTERS

03 Dezembro 2009 | 18h11

A ONU quer que o esquema de Redução de Emissões pelo Desmatamento e Degradação (REDD, na sigla em inglês) seja incluído em um acordo mais amplo para o combate à mudança climática, de modo a recompensar com dinheiro os países pobres que preservarem suas florestas.

O desmatamento está entre as principais fontes humanas de emissões dos gases-estufa. Vivas, as florestas absorvem o carbono da atmosfera; degradas, elas liberam esse material.

Mas Oscar Venter, da Universidade de Queensland (Austrália), e seus colegas apontam o risco de os investidores priorizarem a preservação de florestas que tenham uma melhor relação custo-benefício na redução das emissões de carbono, como a Amazônia brasileira.

Tal concentração de verbas deixaria ainda mais vulneráveis áreas ricas em espécies, como Madagáscar, Indonésia e Filipinas.

"O estudo revela que, se os pagamentos pelo carbono (não emitido) se focarem muito estreitamente no carbono e ignorarem a biodiversidade ameaçada, o comércio de carbono sozinho não bastará para afastar as extinções de larga escala de espécies tropicais", disse o coautor Kerrie Wilson.

O estudo, publicado na revista Science, diz que quantias relativamente pequenas poderiam ajudar a salvar espécies em áreas financeiramente menos atraentes.

Venter afirmou à Reuters que qualquer modelo final do REDD, que será discutido por negociadores durante a cúpula climática da semana que vem em Copenhague, deve assegurar a proteção da biodiversidade.

"Recebemos toneladas de serviços da natureza - filtragem da água, retenção de sedimentos, redução de incêndios, ar limpo. São coisas gratuitas. Se você começa a erodir a biodiversidade que fornece esses serviços, todas essas coisas, a estabilidade dos seus campos cultiváveis, a limpeza dos seus rios, tudo irá começar a desaparecer".

RECOMPENSA POR RISCO DE CARBONO

Venter e seus colegas usaram um complexo modelo que examina as taxas habituais de desmatamento em 68 países em desenvolvimento entre 2006 e 2015. Concluíram que, se o desmatamento puder ser reduzido em 20 por cento, o financiamento para um esquema REDD, com relação custo-benefício positiva, seria gasto em oito países.

A maior parte do investimento iria para a América do Sul, particularmente o Brasil. Nada iria para a Ásia, já que o deslocamento de grandes cultivos de dendê e outros produtos encareceria os projetos REDD.

Um financiamento para a redução do desmatamento em 40 por cento já permitiria investimentos em 20 países - outra vez majoritariamente na América do Sul.

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