Plano climático de Bush é só 'oferta inicial', diz ONU

A principal autoridade climática da ONUdisse na quinta-feira considerar a atual proposta climática dosEUA, que prevê um teto de emissões de carbono em 2025, apenasuma "oferta inicial" e lembrou que os três candidatos à CasaBranca defendem medidas mais rígidas. Yvo de Boer, secretário de Mudanças Climáticas da entidade,afirmou também que o mundo terá de adotar a energia nuclear --repudiada por muitos ambientalistas -- e dar mais apoio aospaíses em desenvolvimento para combater o aquecimento global. "Vejo muito como uma oferta inicial por parte dos EstadosUnidos", disse De Boer a jornalistas que lhe perguntaram se aproposta apresentada na semana passada pelo presidente GeorgeW. Bush poderia desestimular a China a agir mais rapidamentecontra a emissão de poluentes. "Os três candidatos presidenciais (nos EUA) colocam amudança climática no topo de suas agendas, e estou confiante deque depois das eleições teremos uma posição ambiciosa dos EUA",acrescentou ele, que participa de um fórum sobre ciência etecnologia em Pequim. No início do evento, o vice-ministro chinês Xie Zhenhua,principal autoridade do país para questões climáticas, defendeua criação de um fundo internacional destinado a transferirtecnologia "limpa" para países pobres. "Os países em desenvolvimento carecem de tecnologiaavançada para lidar com a mudança climática, então os paísesdesenvolvidos, para o benefício do planeta, deveriam adotarmedidas tangíveis para remover as barreiras à transferência detecnologia", disse Xie em seu discurso. "A inovação etransferência tecnológicas devem ser abrangentes", acrescentou. A China é comprovadamente o segundo maior produtor mundialde dióxido de carbono (o principal dos gases do efeito estufa),e sua emissão anual pode já ter superado a dos Estados Unidosem 2007. Mas os dirigentes dizem que o país tem emissões baixas emtermos históricos e per capita, e que precisa de ajudaocidental para reduzir a poluição sem afetar sua luta contra apobreza. De Boer manifestou apoio à posição de Xie, mas disse tambémque a China tem de se empenhar mais na difusão de políticaspúblicas que promovam as energias renováveis e uma maioreficiência energética. "A China, como a maioria dos países, está realmente lutandopara alcançar as metas que estabeleceu para si em termos demudança climática", afirmou ele. "O desafio é realmente encontrar uma forma que permita àChina se engajar mais sem ameaçar as metas de erradicação dapobreza e crescimento econômico. A comunidade internacionalterá de colocar incentivos tecnológicos e financeiros." A China já se beneficia muito do chamado "mecanismo dedesenvolvimento limpo", uma iniciativa da ONU que dá créditosde carbono a países ricos que ajudem nações em desenvolvimentoa reduzir as suas próprias emissões. Em 2007, Pequim abocanhou a maior fatia desse mercado. MasDe Boer disse que o governo chinês está investindo ainda maispor conta própria, e que as soluções internacionais devemincluir não só ferramentas de mercados, mas também decisõespolíticas.

EMMA GRAHAM-HARRISON, REUTERS

24 de abril de 2008 | 09h48

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