Pingüins extraviados superlotam zoológico em Niterói

Desde o mês passado, o zoológico recebeu 250 aves. Mas muitas não resistiram aos rigores da viagem

Clarissa Thomé, da Agência Estado,

25 Julho 2008 | 19h08

A temporada de pingüins na costa fluminense não dá sinais de arrefecer. Nesta sexta-feira, 25, o Zoológico de Niterói, que funciona como espécie de "hospital de referência" para as aves, recebeu 47 pingüins encontrados na costa de Macaé, no Norte fluminense. Agora, o local está superlotado: tem 193 pingüins, que consomem 850 quilos de peixe por semana.   Desde o mês passado, o zoológico recebeu 250 aves. Mas muitas não resistiram. Para dar conta do problema, a direção do ZooNit instalou uma tenda, que funcionará como a emergência de um hospital. As aves serão recebidas ali pelos biólogos, passarão por uma avaliação inicial e depois da triagem vão para a internação - locais em que os pingüins ficam sob fortes lâmpadas, enquanto recuperam a camada de gordura que perderam na jornada.   De acordo com Giselda Candiotto, presidente do ZooNit, os pingüins são muito jovens, nadaram mais de cinco mil quilômetros e se perderam da corrente fria do mar  que os levaria de volta para casa. "Esse problema tem a ver com as mudanças climáticas. As correntes frias estão chegando cada vez mais longe. Os pingüins mais jovens saem para procurar cardume e não conseguem achar o caminho de volta", explica. A poluição também atrapalha.   De acordo com Giselda, o recorde do zoológico havia sido em 2005, quando em todo o inverno chegaram 230 aves. Apenas 30% se recuperaram. Esse ano, o índice está em 40%. A presidente do ZooNit agora tem que resolver uma questão de logística. As aves, depois de recuperarem o peso e voltarem a se alimentar sozinhas, têm de ser levadas para o Rio Grande, no Rio Grande do Sul, onde passam por nova triagem no Centro de Reabilitação de Animais Marinhos e são devolvidas ao mar.   Esse transporte já foi feito pela FAB em outras temporadas. Mas o vôo que segue para a Antártida está lotado com equipamentos e pesquisadores que vão trabalhar na Estação Antártica Comandante Ferraz. "Vou entrar em contato com o Centro de Hidrografia da Marinha e pedir que os pingüins sejam levados de navio. São cinco dias de viagem, em tanque salinizado, acompanhados por nossos biólogos. Se for preciso, peço patrocínio para o combustível. Mas é a única chance de os animais serem salvos", afirmou Giselda.

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