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Piloto mapeia Rio Paranapanema a bordo de paramotor

Para esta jornada, que começa nesta terça-feira, Dia Mundial da Água, ambientalista Lu Marini planeja ação de combate ao 'Aedes'

Vitor Tavares, O Estado de S. Paulo

22 Março 2016 | 09h58

Voando, o ambientalista e piloto Lu Marini conheceu as águas com uma intimidade que poucos têm. Sob seus pés, passaram mais de 4,1 mil quilômetros de rios, entre o nordestino São Francisco e o paulista Tietê - algo como mais de dez vezes a distância entre São Paulo e Curitiba.  Pelas expedições nos ares, a bordo de um paramotor que consegue se aproximar a poucos metros da água, a ordem é documentar. Para analisar, recordar e, principalmente, conscientizar a população sobre os recursos hídricos do Brasil. Nesta terça-feira, 21, Dia Mundial da Água, Marini inicia uma nova jornada, a terceira do seu projeto Rios, dessa vez pelo leito do Paranapanema, um dos rios mais limpos de São Paulo.

Aos 18 anos, Lu Marini começou a voar, a bordo de um parapente. Mas foi só quando conheceu o paramotor, uma adaptação motorizada que não é tão dependente dos ventos, que descobriu a liberdade de um percurso feito por onde ele quiser . Hoje, aos 45 anos, ele já rastreou a costa do Atlântico no Brasil, o Pantanal, o México e a Rodovia Transamazônica. A preocupação com os recursos hídricos começou nessas viagens, quando percebeu problemas graves de poluição, desmatamento, seca e enchentes. “Lá de cima, ficou muito claro para mim que, se não fizermos alguma coisa, a situação vai ficar muito drástica”, disse.

 

A primeira missão foi pelo Tietê, em 2014, um dos rios mais sujos do país. Foram 1,1 mil quilômetros vendo a morte do leito do rio e conhecendo história de pessoas como dona Maria, moradora da margem do curso de água desde quando ele ainda não tinha o mau cheiro de hoje. Um ano depois, foi a vez do São Francisco, o principal do interior nordestino, com 3 mil quilômetros. A força que o rio teria para combater a forte estiagem que atinge a região está se perdendo. A cheia, que antes levava os peixes aos açudes e fertilizava a terra, não garante mais a renda dos ribeirinhos.

Dessa vez, Marini pretende encontrar um cenário mais animador. Nos quase 1 mil quilômetros,  o Rio Paranapanema é um dos mais importantes para o Estado de São Paulo, nascendo na Serra Agudos Grandes e desaguando no Rio Paraná. Nesta terça, o ambientalista parte a bordo do paramotor de Ribeirão Grande e, em 15 dias, deve terminar o percurso, em Rosana. As paradas serão feitas em cidades como Campina do Monte Alegre, Paranapanema, Ourinhos e Teodoro Sampaio. 

 “Eu queria o contraponto depois de tudo que vi nas minhas expedições. Quero saber o que pode estar dando certo ali, vamos tentar entender”, explicou Marini. O paramotor tem uma autonomia de fazer cinco horas de voo direto sem precisar abastecer, a até 40 quilômetros por hora. A expectativa é de rodar 100 quilômetros por dia, chegando a uma altura de 300 metros. A equipe é formada por cinco pessoas, sendo um piloto que voa em outro paramotor ao lado e quatro pessoas em terra, organizando áreas para pouso e ações com as comunidades ribeirinhas.

Saúde. Além de registrar o rio, Lu Marini também vai focar no problema do Aedes aegypti. Por meio de um aparelho de geolocalização, ele vai mapear possíveis focos do mosquito, como terrenos baldios e caixas de água destampadas. “O nosso grande ensinamento é com as pessoas que vivem nesses locais. Elas nos ensinam muito e a gente tenta retribuir. Diante dessa situação e com os recursos que tenho, quero ajudar a combater nem que seja 1% desse surto de dengue”, disse. A ideia é entregar às prefeituras dos municípios avaliados o mapeamento de todos os focos encontrados, para que eles sejam destruídos.

Ainda serão distribuídas mais de 100 mil sementes de uma planta chamada crotalária. Ela atrai libélulas, que são predadoras naturais do Aedes aegypti. Mesmo sem ser uma ação de prevenção comprovada cientificamente, para Marini é mais uma tentativa de ajudar esses locais. “O que faz o rio vai além da água, mas todo o ambiente que fica ao redor, e isso inclui as pessoas”, contou. O ambientalista também prepara um documentário e um livro educativo, para serem lançados em agosto. Em setembro, a ideia é voar sobre a bacia hidrográfica do Rio Doce, atingido pelo maior desastre ambiental no Brasil, em Mariana, Minas Gerais.

 

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