Petroquímica brasileira quer fabricar ‘plástico verde’ no exterior

Braskem prepara plano e busca parcerias para liderar mercado global de química sustentável

André Magnabosco, O Estado de S. Paulo

11 de agosto de 2010 | 13h33

Às vésperas de iniciar a produção comercial da unidade de “plástico verde” construída em Triunfo (RS), o que ocorrerá no próximo mês, a Braskem prepara um plano no qual pretende se posicionar como a empresa líder no mercado global de química sustentável.

 

O plano, que será apresentado para o Conselho de Administração em setembro e deve ser divulgado oficialmente em outubro, inclui até mesmo a possibilidade de a companhia brasileira se tornar uma produtora de insumos chamados verdes no exterior. “O projeto da Braskem trouxe uma gama de oportunidades de alianças e passamos a ver uma demanda vinda de governos de outros países e cadeias de clientes”, revelou o presidente da petroquímica, Bernardo Gradin.

 

Os novos projetos poderão contar com parceiros comerciais ou até mesmo empresas interessadas em se associar ao próprio projeto fabril. As novas unidades, instaladas no Brasil ou no exterior, poderão produzir petroquímicos a partir de outras matérias-primas, e não somente da cana-de-açúcar – caso do projeto gaúcho, que terá capacidade anual de 200 mil toneladas de eteno.

 

O plano representa uma mudança na estratégia de crescimento da petroquímica. A Braskem mantém o objetivo de se tornar uma das maiores petroquímicas globais, mas agora o foco principal está em ser referência mundial na química feita a partir de fontes renováveis.

 

Apesar de sinalizar que a petroquímica pode se envolver em uma nova frente de investimentos, Gradin descartou a possibilidade de o atual plano de crescimento ser alterado. “Para que possamos ter sustentabilidade, precisamos manter a busca por fontes renováveis”, afirmou o executivo.

 

O atual plano de crescimento da Braskem está focado principalmente na utilização de gás natural, insumo que abastecerá projetos no México, Peru, Venezuela e Bolívia. A Braskem também opera linhas de produção de polipropileno nos Estados Unidos, a partir de etano.

 

Lucro

 

Balanço divulgado ontem mostra que o lucro líquido da petroquímica no segundo trimestre apresentou forte retração ante o mesmo período do ano passado. A queda é explicada pela base de comparação, entre abril e junho de 2009, quando a desvalorização do dólar frente ao real levou a Braskem a registrar lucro líquido de R$ 1,156 bilhão. No segundo trimestre deste ano, o lucro da Braskem somou R$ 45 milhões, queda de 96% nessa base comparativa.

 

Apesar disso, o balanço apresenta consistência nos resultados operacionais. O Ebitda da Braskem, indicador usado para dimensionar a rentabilidade das operações, teve alta de 42% ante o segundo trimestre do ano passado, para R$ 1,042 bilhão. Já a receita líquida cresceu 31% na mesma base comparativa, para R$ 6,539 bilhões.

 

 

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