Peta organiza protesto contra Giorgio Armani

A organização em defesa dos animais condenou o uso de peles na última coleção do estilista

Ansa

06 Outubro 2008 | 17h11

Dan Mathews, vice-presidente da associação de defesa dos animais Peta, que há alguns anos lançou uma polêmica campanha contra o uso de peles em que modelos e celebridades foram fotografados nus, tomou agora como alvo o estilista Giorgio Armani.   Para o ativista, Armani "não cumpriu sua palavra". "Há um ano, ele disse que não usaria mais peles, mas na nova coleção de outono apresentou casacos e saias decorados com pele e até casacos de neve para crianças com o interior forrado de pele verdadeira", disse Mathews.   Para destacar publicamente a mudança de atitude do estilista, ativistas da Peta irão exibir amanhã diante da loja Emporio Armani, em Milão, cartazes gigantes que mostram Armani vestido de Pinóquio.   Também será apresentado um vídeo, comentado pela atriz Gillian Anderson, sobre a matança de coelhos na França e na China, que, segundo a Peta, é fornecedora do estilista.   "Para satisfazer um capricho de luxo, está condenando um número enorme de coelhos a uma vida de sofrimento e a uma morte violenta na China, nação onde não existem normas de proteção dos animais", disse Mathews, que em duas décadas de ativismo conseguiu convencer estilistas como Calvin Klein, Ralph Lauren e Tommy Hilfiger a abandonar o uso de peles.   A associação também começou a procurar as celebridades que vestem Armani e freqüentam seus desfiles, como Tom Cruise e sua mulher, Katie Holmes, Cate Blanchett e Glenn Close, a usar sua influência para que o estilista cumpra a promessa de não usar peles.   Mas não é só Armani que parece disposto a manter as peles no universo da moda. A edição de outubro da revista Vogue norte-americana trará um ensaio fotográfico com modelos cobertas por suntuosos casacos de pele.   "É uma velha história: a moda, como todas as indústrias, procurar criar necessidades. Anna Wintour (editora-chefe da Vogue nos Estados Unidos) diz aos fotógrafos, aos estilistas e às modelos o que fazer para aparecer nas revistas", disse Mathews.   A associação, que tem dois milhões de inscritos em todo o mundo, conta como vários simpatizantes famosos, como Paul McCartney, Pamela Anderson e Michael Stipe, da banda REM.   "Pedimos a tanta gente que mudem aquilo que comem e aquilo que vestem, e se nossa causa é apoiada por pessoas famosas, a mensagem chega antes. Nós investimos muito na sensibilização das novas gerações", disse Mathews, que para promover a dieta vegetariana chegou a se apresentar vestido de cenoura na porta de escolas norte-americanas.   "A política está muito por trás desses temas: nos Estados Unidos trabalhei com o gabinete de quatro presidentes diferentes e nada mudou. Talvez dentro de 20 anos possamos trabalhar mais com os governos", disse o ativista.

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