Courtesy of Amro Zayed, York University.
Courtesy of Amro Zayed, York University.

Pesquisas confirmam efeito nocivo dos inseticidas para as abelhas

Experimentos foram realizados na Europa e no Canadá e resultados foram divulgados na Science

O Estado de S.Paulo

29 Junho 2017 | 18h28

Dois dos principais experimentos realizados até agora na natureza na Europa e no Canadá confirmaram a nocividade dos inseticidas agrícolas neonicotinóides para as abelhas e outros polinizadores expostos.

Os resultados destes estudos, publicados nesta quinta-feira, 29, na revista norte-americana Science, revelam também que o meio ambiente local e o estado de saúde das colmeias podem modular os efeitos dos neonicotinóides, conhecidos como pesticidas "assassinos de abelhas" e amplamente utilizados na agricultura.

Estas substâncias químicas, que atuam sobre o sistema nervoso dos insetos, têm "efeitos claramente prejudiciais" nestes polinizadores essenciais, particularmente em uma clara redução de sua reprodução e em um forte aumento de sua mortalidade, concluem estes trabalhos financiados em parte pelo grupo alemão Bayer e o suíço Syngenta.

O primeiro experimento foi realizado sobre um total de 3 mil hectares no Reino Unido, Alemanha e Hungria. Os pesquisadores constataram que uma exposição das abelhas a culturas cujas sementes haviam sido tratadas com dois dos neonicotinóides utilizados na agricultura reduzia a taxa de sobrevivência das colmeias no inverno na Hungria e no Reino Unido.

Nas abelhas alemãs foram constatados menos efeitos negativos.

Segundo Ben Woodcock, um entomólogo do Centro para a Ecologia e a Hidrologia (CEH) da Grã-Bretanha e autor principal do estudo, as diferenças de impacto destes inseticidas na viabilidade das colmeias dos três países poderia se explicar pelo acesso a plantas que não tenham sido tratadas e ao estado de saúde das colônias. Assim, na Alemanha, as colmeias tinham maiores populações com boa saúde e mais acesso a uma grande quantidade de flores selvagens para sugar.

O segundo experimento foi feito no Canadá e mostrou que as abelhas operárias e as rainhas das colmeias morriam antes em contacto com neonicotinoides e que a saúde das colônias tinha se debilitado.

"A questão da verdadeira exposição das abelhas aos inseticidas é controversa e suscita um debate há tempos", destacou Amro Zayed, biólogo da Universidade de York e principal autor do estudo.

Após estas pesquisas "não podemos continuar afirmando que os neonicotinóides na agricultura não prejudicam as abelhas", concluiu David Goulson, professor de biologia da universidade britânica de Sussex./AFP

 

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