'Pernambuco no Clima' defende criação de novo imposto para reduzir poluição

Grupo faz simulações de negociações que poderiam estimular a redução de gases do efeito estufa

Efe

15 Abril 2012 | 19h35

Recife - Reunidos no encontro "Pernambuco no Clima", um grupo de acadêmicos, políticos e cientistas internacionais iniciou uma simulação de negociação que deseja firmar um preço para a redução de aquecimento global e servir de inspiração para as futuras discussões climáticas.

O "jogo" de salvar o planeta começou neste fim de semana na cidade de Recife, onde cerca de 20 negociadores informais, de oito países diferentes, iniciaram as conversas para elaborar um "modelo realista" de diminuição das emissões de gases poluentes.

Essa negociação apresentará suas primeiras considerações durante o fórum "Rio/Clima - Rio Climate Challenge", que será realizado no Rio de Janeiro de forma paralela à Conferência de Desenvolvimento Sustentável da ONU, a chamada Rio+20, que será realizada no mês de junho.

O deputado Alfredo Sirkis (PV-RJ), promotor da iniciativa, disse à agência Efe que as negociações sobre mudança climática não avançam por motivos econômicos e, sobretudo, políticos, já que as medidas de adaptação tecnológica e de redução das emissões de poluentes "possuem um grande custo eleitoral".

O analista argentino em negociações climáticas Eduardo Viola explicou que o modelo de negociações das Nações Unidas, que inclui a todos os países do mundo, "não é o âmbito para solucionar o problema porque só produz consensos com uma ambição mínima".

"O modelo de convenção e do Protocolo de Kyoto está esgotado. Devemos abordar um novo paradigma para enfrentar o problema. Não podem abordar 200 países, mas um grupo reduzido dos grandes produtores (de dióxido de carbono) que também possuem capacidade para resolvê-lo", afirmou Viola.

Na opinião do analista, o núcleo da discussão deveria reunir Estados Unidos, China e os países da União Europeia e, em segundo nível, os "países super importantes", como o Japão, Brasil, Rússia, Coreia do Sul e a Índia, todos eles com possibilidade de contribuir.

"A noção de países desenvolvidos e em desenvolvimento já não vale mais. A China tem emissões de quase oito toneladas de carbono per capita, sendo que o Brasil tem 11 toneladas, mais que a maioria dos países europeus", sustentou o especialista argentino.

Viola ainda ressaltou que a "questão-chave" nessa discussão é a criação de um possível preço ao carbono, como a introdução de um imposto às emissões.

"Sem preço não há uma mudança capaz de acompanhar a velocidade apropriada para evitar a mudança climática. Para estimular essa transição, o preço, que poderia subir gradualmente, deveria ser de US$ 100 a US$ 150 por tonelada de CO2, muito superior ao mercado atual", considerou.

O preço econômico para evitar a mudança climática também poderia se associar com outra iniciativa que está sendo discutida pelos negociadores da Rio+20, a qual contempla a criação de um novo indicador econômico capaz de recolher variáveis ambientais e sociais.

Sirkis, presidente da subcomissão da Rio+20 no Congresso brasileiro, explicou que a criação desse indicador é um dos principais objetivos dessa conferência da ONU em torno do conceito da "economia verde".

"O índice não seria um PIB verde, mas um indicador de desenvolvimento sustentável. Queremos que substitua o PIB, já que o mesmo não reflete variáveis sociais e ambientais".

Segundo o deputado, o "novo Produto Interno Bruto" descontaria pontos ao cálculo do crescimento econômico por más práticas ambientais, levando em conta que a destruição do meio ambiente "poderá ser pesada para os orçamentos dos países no futuro".

No entanto, Sirkis comentou que espera que a Rio+20 sirva somente para firmar as bases dos princípios do conceito da economia verde, que deveriam ser desenvolvidos em outras futuras reuniões.

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