Kim Kyung-Hoon/Reuters
Kim Kyung-Hoon/Reuters

Período entre 2015 e 2017 foi o mais quente já registrado, alertam agências

2016 continua com a marca recorde de temperaturas desde que começaram a ser colhidas de forma sistemática, em 1880

Jamil Chade, O Estado de S.Paulo

18 Janeiro 2018 | 12h34

GENEBRA – Em um sinal claro das mudanças climáticas, causadas pela concentração de gases estufa, os anos entre 2015 e 2017 foram os mais quentes já registrados. Os dados estão sendo publicados nesta quinta-feira, 18, pela Organização Meteorológica Mundial, pela NASA e outras cinco agências espaciais. 

O ano de 2016 continua com a marca recorde de temperaturas desde que começaram a ser colhidas de forma sistemática, em 1880. Mas 2017 passou a ser considerado como o ano mais quente sem a presença do El Niño.

No ano passado, a temperatura média da superfície terrestre foi 1,1 graus Celsius acima da era pré-industrial, o mesmo nível registrado em 2015. Em 2016, o registrado apontava para 1,2 graus Celsius.

“A tendência da temperatura de longo prazo é mais importante que o ranking individual de anos e o que vemos é uma tendência de alta”, afirma o secretário-geral da OMM, Petteri Taalas. A OMM é uma das agências da ONU. 

Segundo ele, 17 dos 18 anos mais quentes já registrados ocorreram no século XXI. “O nível de aquecimento durante os últimos três anos tem sido incrível”, disse. De acordo com Taalas, o aumento de temperaturas no Ártico foi pronunciado e isso terá um impacto de longo prazo nos níveis dos mares e padrões climáticos. 

De acordo com as agências, 2017 registrou uma média de temperatura 0,46°C acima da média de 1981-2010, que foi de 14,3°C. 

Além do aumento da temperatura por conta dos níveis elevados de gases de efeito estufa, o fenômeno natural do El Niño teve um impacto nas temperaturas globais. Para os especialistas, isso explica em parte o recorde atingido em 2016. 

“Temperaturas apenas contam parte da história”, disse Taalas. “O aquecimento em 2017 foi acompanhado por um clima extremo em muitos países pelo mundo”, alertou. “Nos EUA, foi o ano mais caro em termos de impacto de desastres ambientais, enquanto outros tiveram seu desenvolvimento freado por ciclones, enchentes e secas”, completou. 

Para as entidades, os recordes vão continuar. “Um novo recorde vai ocorrer de novo, nos próximos dois ou três anos”, prevê Omar Baddour, cientista da OMM.  "Provavelmente, estaremos acima de 1,5 graus Celsius até 2050 e, nesse ritmo, poderemos atingir a elevação de 2 graus entre os anos 2060 e 2070”, explicou. 

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