Dida Sampaio/AE
Dida Sampaio/AE

Perda florestal global é menor do que se estimava, diz FAO

O resultado mais positivo se deve à maior expansão das áreas florestais, segundo o levantamento feito com dados de satélites de alta resolução

Reuters

30 Novembro 2011 | 10h35

MILÃO - A perda líquida da cobertura florestal global entre 1990 e 2005 foi um terço inferior ao que se estimava anteriormente, mas o desmatamento continua sendo uma ameaça ao meio ambiente e à segurança alimentar, disse na quarta-feira a agência da ONU para alimentação e agricultura (FAO), ao divulgar novos dados obtidos por satélites.

A redução líquida - ou seja, o desmatamento menos o replantio e a expansão natural das florestas - totalizou 72,9 milhões de hectares entre 1990 e 2005, cifra que é 32 por cento inferior aos 107,4 milhões de hectares anteriormente estimados, segundo a FAO.

O resultado mais positivo se deve à maior expansão das áreas florestais, segundo o levantamento feito com dados de satélites de alta resolução. As estimativas anteriores da FAO se baseavam em relatórios nacionais, baseados em diversas fontes.

Mas o novo trabalho mostra que o desmatamento continuou acelerado, e que o planeta perdeu em média 4,9 milhões de hectares de florestas por ano durante o período estudado, ou 10 hectares por minuto, disse a FAO.

"O desmatamento está privando milhões de pessoas de produtos e serviços florestais que são cruciais para a segurança alimentar, para o bem estar econômico e para a saúde ambiental", disse em nota Eduardo Rojas-Briales, diretor-assistente da FAO para o manejo florestal.

Os novos dados também mostram que a perda líquida de florestas se acelerou no final do período pesquisado, chegando a 6,4 milhões de hectares por ano entre 2000 e 2005, depois de ficar em 4,1 milhões de hectares por ano entre 1999 e 2000.

"As novas cifras baseadas nos satélites... oferecem uma informação mais precisa aos tomadores de decisões em todos os níveis, e salientam a necessidade de que países e organizações enfrentem e interrompam urgentemente a perda de valiosos ecossistemas florestais", disse Rojas-Briales.

A taxa mundial de desmatamento, motivada principalmente pela conversão de florestas tropicais em terras aráveis para a agropecuária, foi em média de 14,5 milhões de hectares por ano entre 1990 e 2005, algo compatível com estimativas anteriores, segundo a FAO, que tem sede em Roma.

A área florestal total do mundo era de 3,69 bilhões de hectares em 2005, ou 30 por cento das terras do globo.

No período 1990-2005, a redução florestal foi mais acentuada nos trópicos, onde ficam quase metade das florestas do mundo. Nessa região, a perda líquida média foi de 6,9 milhões de hectares por ano, segundo o levantamento.

A conversão de florestas para outros usos não especificados se deu principalmente na América do Sul, seguida pela África.

A Ásia foi a única região a registrar aumento líquido da área florestal, graças ao plantio intensivo de florestas na China e em outros países, superando o ritmo do desmatamento.

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