Perda de biodiversidade ameaça avanço da medicina

'Nós temos que fazer algo a respeito do que está acontecendo com a biodiversidade', disse o diretor do Pnuma

AP

24 de abril de 2008 | 15h17

O mundo corre perigo de perder novos tratamentos médicos para câncer, osteoporose e outras doenças se não agir rapidamente para conservar a biodiversidade, disse um representante das Nações Unidas na quarta-feira, 23. Organismos do planeta Terra oferecem muitos produtos químicos naturais com os quais médicos podem desenvolver novos remédios - mas muitos desses organismos estão ameaçados de extinção, disse Achim Steiner, diretor executivo do programa ambiental da ONU (Pnuma).  "Nós temos que fazer algo a respeito do que está acontecendo com a biodiversidade", disse Steiner. "Nós devemos ajudar a sociedade a entender o quanto já dependemos da biodiversidade para fazer nossas economias funcionarem, nossas vidas, e, mais importante, o que nós estamos perdendo em termos de futuro potencial." Steiner estava anunciando as conclusões de um novo livro médico, nos bastidores da conferência, realizada em Cingapura, Empresas pelo Meio Ambiente. Cerca de 600 executivos e especialistas em meio ambiente fizeram parte da reunião de dois dias que acabou na quarta-feira, 23. O livro Sustaining Life (Vida Sustentável, em tradução livre) é baseado no trabalho de mais de 100 especialistas e é financiado por diversas organizações, incluindo o Pnuma, disse Steiner. Seus principais autores são da Faculdade de Medicina da Universidade de Harvard. "Por causa da ciência e da tecnologia, estamos em uma posição muito melhor para revelar o potencial da natureza, encontrado em tantas espécies", disse. "Ainda assim, em muitos casos, veremos que já o perdemos antes de termos conseguido usá-lo." Ele mencionou o exemplo da rã descoberta nas florestas tropicais australianas nos anos 1980. A fêmea protege os filhotes em seu estômago. Estudos preliminares mostraram que os filhotes produziam substâncias para se protegerem das enzimas e ácidos digestivos da mãe - o que levou a novas idéias sobre como tratar as úlceras humanas, acrescentou. Entretanto, a rã foi extinta, segundo o livro.  Ano passado, a lista vermelha das espécies ameaçadas da União Internacional para a Conservação da Natureza, com base na Suíça, listou mais de 16 mil espécies.  Steiner disse que o livro olha para sete grupos de organismos ameaçados por valor médico potencial ou conhecido: anfíbios, ursos, caracóis, tubarões, primatas não-humanos, caranguejos e gimnospermas, um tipo de forma de vida vegetal.  Diversas drogas como a Taxol, amplamente usada no tratamento contra o câncer, foram isoladas nas gimnospermas. Os pesquisadores do livro acreditam que devam existir muitas outras possibilidades ainda.  Eles também acreditam que alguns ursos possam produzir uma substância que poderia evitar a osteoporose.

Tudo o que sabemos sobre:
biodiversidadeONU

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.