Tiago Teixeira / Conforpés
Tiago Teixeira / Conforpés

Pato de estimação ganha prótese e volta a andar

Ave nasceu com uma perna atrofiada no interior de São Paulo; membro postiço é igual ao de atletas paraolímpicos

José Maria Tomazela, O Estado de S. Paulo

18 Abril 2017 | 03h00

SOROCABA - Um pato de estimação que nasceu com uma perna atrofiada é uma das primeiras aves da espécie a ganhar um membro mecânico para voltar a andar. O membro postiço, desenvolvido pelo empresário Nelson Nolé, de Sorocaba, no interior de São Paulo, foi inspirado nas próteses em forma de lâmina, usada pelos corredores paraolímpicos. O equipamento foi instalado de forma definitiva na semana passada, mas o pato Batata terá de passar por um período de adaptação antes de poder correr sem risco de queda.

A ave nasceu como o “patinho feio” numa ninhada de seis filhotes, pois tinha uma das pernas atrofiadas e seria sacrificada. A administradora Persia Cristina Maldonado, moradora de Amparo, no interior paulista, decidiu adotar o pato. Por causa do defeito, ele comia muito - alimento e água tinham de ser levadas ao alcance do bico - e se movimentava pouco, ganhando o apelido de Batata. 

Persia conta que procurou ajuda em clínicas veterinárias, sem sucesso, até encontrar na internet notícias sobre o trabalho de Nolé. Em 2015, ele havia construído uma perna mecânica para um flamingo do zoológico de Sorocaba.

Requisitado. Especialista em próteses humanas que devolvem a mobilidade a amputados em acidentes e guerras, como vítimas de minas em países africanos em conflito, Nolé também é requisitado para serviços especiais. Em março, produziu uma prótese para o índio Marinaldo Ashaninka, de uma tribo amazônica descendente dos incas, que perdeu a perna após ser picado por cobra.

Procurado por donos, o empresário passou a atender animais, na maior parte dos casos, gratuitamente. Além do flamingo, fez prótese para um bovino. “Pato é o primeiro e foi um desafio, pois é uma ave de andar desengonçado que tem nadadeiras na extremidade do membro.”

Primeiro, amputou o que restava do membro atrofiado e, para isso, contou com ajuda de um veterinário. Após desenvolver a prótese em fibra de carbono, Nolé verificou que o pato escorregava muito e trabalhou o material para que ficar mais aderente ao piso. Nos últimos testes, a ave conseguiu caminhar em direção ao alimento. 

Na casa de Persia, o pato vive em harmonia com o cão e o gato da família. A ave faz sucesso quando desfila como passageira no carro da dona. Agora, poderá se deslocar até a comida e o bebedouro e, com um pouco de treino, fazer o que mais gosta: nadar e mergulhar.

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