Karman Jebreili/AP
Karman Jebreili/AP

Parlamento Europeu proíbe retirada de barbatana de tubarão

Navios europeus ou que estejam em águas do bloco não podem realizar a prática, que ameaça os animais de extinção

Reuters,

23 Novembro 2012 | 02h14

BRUXELAS - A prática de pescadores de retirar as barbatanas de tubarão e atirar os animais de volta ao mar, muitas vezes ainda vivos, sofreu um forte revés ontem. O Parlamento Europeu proibiu a atividade nos navios que estejam operando em águas da União Europeia assim como em todas as embarcações registradas no bloco e que estejam em qualquer outro lugar do mundo.

Nos últimos anos tem ocorrido um aumento da demanda por barbatanas de tubarões - especialmente para o cozimento de sopas na China, onde são consideradas iguarias. Lá elas podem ser vendidas por até 1.000 (cerca de R$ 2.700).

O apetite pelas barbatanas, porém, acabou ameaçando várias espécies do animal, que tem um papel vital para manter o equilíbrio dos ecossistemas marinhos. Eles são particularmente vulneráveis à sobrepesca por causa da sua lenta taxa de crescimento e a baixa presença de indivíduos juvenis. De acordo com a União Internacional para a Conservação da Natureza, um terço das espécies de tubarão está ameaçado de extinção.

O posicionamento do Parlamento Europeu passa um sinal forte para o mundo contra a prática, em especial porque é dos navios que têm sua bandeira ou que atuam em suas águas que parte a maioria das barbatanas exportadas. A decisão, no entanto, ainda depende de aprovação dos Estados-membros para que leve a uma lei definitiva.

Esse texto poderia fechar uma brecha nas leis da União Europeia - apesar de proibirem a prática em seus portos, elas autorizavam que pescadores com permissões especiais desembarcassem barbatanas e corpos de tubarão em portos diferentes.

Grupos conservacionistas por anos fizeram campanhas contra a União Europeia por conta dessa leniência. Portugal e Espanha ainda emitem permissões, sendo os espanhóis os maiores exportadores de barbatanas.

A votação foi comemorada por ONGs ambientalistas como Oceana, Pew Environment Group e Shark Alliance como um importante passo para o fim da prática.

Mais conteúdo sobre:
Tubarãobarbatana

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.