Parlamentares de vários paises discutem o clima no Brasil

O Protocolo de Kyoto só estipula regras para as emissões de carbono nos países desenvolvidos

LESLEY WROUGHTON, REUTERS

19 de fevereiro de 2008 | 21h44

Parlamentares dos principais paísesindustrializados e de cinco grandes economias emergentes sereúnem a partir de quarta-feira no Brasil para discutir umtratado climático que está em fase de negociação. Será a primeira reunião de parlamentares de países ricos eem desenvolvimento para ajudar a moldar o documento quesubstituirá o Protocolo de Kyoto a partir de 2012, disse àReuters a vice-presidente do Banco Mundial para a AméricaLatina, Pamela Cox. "Os parlamentares são mais do que só mais uma voz. Emmuitos países, são os que na realidade patrocinam e aprovam asleis que podem governar qualquer pauta futura da mudançaclimática", disse ela. Cox, que vai participar da conferência em Brasília, disseque é preciso buscar uma solução global para controlar asemissões de carbono responsáveis pelo aquecimento. "É uma questão global tão importante que não dá para seruma discussão bilateral, é preciso engajar a sociedadeinteira", disse ela. "Não acho que exista qualquer tipo deiniciativa ou evento desse tipo." Os cem parlamentares esperados representam o Grupo dos Oito--Estados Unidos, Grã-Bretanha, França, Alemanha, Itália,Canadá, Japão e Rússia-- mais cinco grandes países emdesenvolvimento --China, Brasil, Índia, África do Sul e México. O Protocolo de Kyoto só estipula regras para as emissões decarbono nos países desenvolvidos. Já o novo tratado deveincluir todos, inclusive grandes emissores como China e Índia. O Brasil teme que esse novo tratado, lidando com todas asformas de emissões (inclusive pelo desmatamento), afete suasoberania sobre a Amazônia. O país é o quarto maior emissor decarbono no mundo, e quase todo o material é resultante dodesmatamento. Em outubro, o Banco Mundial anunciou a criação do programaParceria das Florestas de Carbono, para dar incentivosfinanceiros a países que protejam e replantem florestas,capazes de capturar muito carbono e assim reduzir oaquecimento. A destruição de florestas no mundo representa mais de 20por cento das emissões de gases do efeito estufa, mais do quetodos os carros, caminhões, trens e aviões do planeta juntos.Ao estipular um valor econômico para as florestas tropicais, oprograma pode ajudar países em desenvolvimento, como o Brasil,a gerar uma nova fonte de renda para o combate à pobreza. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve falar àconferência. Ele vem argumentando que os países ricos sãoresponsáveis por 60 por cento das emissões de gases, e que porisso deveriam arcar com a responsabilidade. A exemplo de outros países em desenvolvimento, o Brasiltambém teme que tratados contra o aquecimento global emperremseu desenvolvimento econômico. "Ambos os lados precisam de mais compreensão do ponto devista do outro, porque é uma questão global e estamos todosjuntos nisso", disse Cox. "Esses países precisam ser vistoscomo parceiros plenos. Não é só quem paga, mas quem joga, eesperamos que o G8 pague e que esses países de renda médiajoguem, e precisamos descobrir como isso vai funcionar."

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