Para ONG, relator do Código Florestal tentou dar 'golpe'

Dirigente de entidades acredita que confusão durante votação mostra que projeto ainda precisa ser melhor debatido

Gustavo Bonfiglioli, Especial para O Estado de S. Paulo

13 Maio 2011 | 22h22

Para o presidente da SOS Mata Atlântica, Mário Mantovani, o relator do projeto do Código Florestal, Aldo Rebelo (PCdoB-SP), tentou dar “golpe” na votação de quarta-feira na Câmara, apresentando um relatório diferente do negociado com o governo.

“O Aldo rompeu o contrato e tentou fazer esse golpe, que é um golpe em toda a sociedade. Ficou claro que essa discussão não tem mais caráter ideológico, é uma tentativa de beneficiar só um lado da sociedade a todo custo: os grandes produtores agrícolas.”

Para Márcio Astrini, coordenador da campanha Amazônia do Greenpeace, que, a exemplo de Mantovani, esteve na Câmara na quarta-feira, a confusão serviu para mostrar à sociedade que votar o código agora “não tem o menor cabimento”. “Ficou provado o que estamos falando há muito tempo: o código precisa de muito debate ainda. Muitos deputados ali nem sabiam o que estavam votando.”

O diretor do Instituto Socioambiental e ex-deputado Márcio Santilli chama a atenção para o que considera falhas regimentais da Câmara. Segundo ele, o fato de os deputados terem aberto a sessão de votação antes de receberem o texto do substitutivo de Aldo revela falta de transparência. “O que me espanta é o fato do regimento deixar essa coisa rolar solta, em que o relator apresenta na hora o que vai ser votado. Em contextos muito mais precários, isso não acontecia.”

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