Papa Francisco pede franqueza a bispos em abertura de sínodo

Papa Francisco pede franqueza a bispos em abertura de sínodo

Discutir questões morais será o objetivo da assembleia criada por Papa; Entre as pautas que serão discutidas está o casamento gay

REUTERS

06 Outubro 2014 | 15h47

O papa Francisco inaugurou nesta segunda-feira uma assembleia da Igreja Católica que irá discutir casamento, casais gays, controle de natalidade e outras questões morais, dizendo aos bispos que falem com franqueza e não tenham medo de aborrecê-lo.

Após uma cerimônia de abertura no domingo, cerca de 200 bispos de todo o mundo se reuniram com o papa em um salão do Vaticano para iniciar as sessões de trabalho do sínodo de duas semanas, que será centrado no tema da família e poderá definir o papado de Francisco.

“Uma condição básica, geral (para o sínodo) é esta: falem claramente. Não deixem ninguém dizer ‘não posso falar isso, o que pensarão de mim?’”, declarou ele aos eclesiásticos.

Francisco afirmou que os líderes dos 1,2 bilhão de católicos não devem reprimir suas opiniões sobre nenhum tópico, por mais delicado que seja, “por respeito ao papa ou porque o papa pode pensar de outra maneira”, e acrescentou: “Isso não é bom”.

A assembleia, precedida de desavenças públicas entre progressistas e conservadores, é vista como um teste de fogo para a visão do pontífice de uma igreja que ele deseja ser mais próxima dos pobres e sofredores, e não obcecada com temas como homossexualidade, aborto e contracepção.

Não são esperadas quaisquer mudanças imediatas após o sínodo, embora ele vá pavimentar o caminho para uma reunião mais ampla dos clérigos católicos no ano que vem, na qual o papa receberá sugestões que alguns fiéis esperam levar a mudanças em questões relacionadas à família e à moral sexual.

O sínodo é o primeiro desde que Francisco foi eleito, 19 meses atrás, com a missão de renovar a instituição, atingida pelo declínio no número de fiéis em muitos países e por escândalos como os dos abusos sexuais de padres contra crianças.

O encontro ocorre a portas fechadas, e o Vaticano não planeja divulgar textos ou sumários de intervenções individuais, nem revelar quem disse o quê.

O Vaticano, que fará informes diários, afirma que isso encoraja o debate livre. Os repórteres contestaram a decisão, dizendo que haverá menos informação independente disponível para a mídia do que em sínodos anteriores.

Para se preparar para o encontro, a Igreja fez uma pesquisa mundial sobre temas familiares que mostrou que muitos católicos ignoram os ensinamentos da instituição sobre o controle de natalidade, o sexo antes do casamento e a aceitação da homossexualidade.

Em um sermão no domingo, o papa pediu o fim das disputas internas, afirmando que o sínodo “não é para discutir ideias bonitas e astutas, ou ver quem é mais inteligente”.

Mais conteúdo sobre:
RELIGIAOPAPASINODO*

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.