Alver Sathler
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Pantanal tem tempestade de 'poeira e cinzas dos incêndios' perto da Serra do Amolar

Fenômeno ganhou grandes dimensões, impressionando moradores da região. 'Foi algo apocalíptico, coisa de filme', contou piloto. Veja vídeo

Paulo Favero, O Estado de S.Paulo

14 de outubro de 2020 | 23h00

O cenário parece de um filme de Mad Max. Uma tempestade de poeira e cinzas dos incêndios no Pantanal ganhou grandes dimensões e se assemelhou a um fenômeno climático chamado Dust Bowl, impressionando as pessoas que estavam na região da Serra do Amolar, no Mato Grosso do Sul, e se depararam com essa situação. "Foi algo apocalíptico, coisa de filme. Nunca tinha visto nem ouvido falar de uma tempestade como essa", contou o piloto Alver Sathler, que trabalha para uma empresa privada que presta serviço para o Ibama.

Aos 45 anos, sendo 22 deles dirigindo aeronaves, ele precisou ter sangue frio para se livrar do perigo na tarde de terça-feira, 13. "Era uma situação extremamente perigosa. Primeiro porque se entrasse dentro da tempestade, poderíamos cair com a aeronave por causa da perda visual. E outro aspecto é que aquela areia poderia entrar no motor e ter até um apagão", contou o piloto, autor das imagens da tempestade de dentro de seu helicóptero.

Ele estava junto com um tripulante operacional e já tinha deixado a equipe na base. Então foi abastecer a aeronave e quando retornava encontrou a tempestade pela frente. "Estávamos a oito minutos da base e quando decolei para voltar, me deparei com aquele monstro. A única opção foi cruzar a Serra do Amolar e procurar um local de pouso. Passei a montanha, achei um descampado e fiz o pouso. Acabamos passando a noite nessa fazenda e esperamos o dia amanhecer para voltar para a base", revelou.

Sathler já estava no final do dia, depois de ter trabalhado nos combates aos incêndios na região. O Pantanal vem sofrendo com o fogo em níveis recordes. "Eu estou trabalhando nesse combate há 45 dias. Estive em Cáceres, Porto Jofre, Serra do Amolar... Cruzei o Pantanal inteiro. É um nível de destruição sem precedentes. É voar 45 minutos em cima de área queimada. O que não queimou são as áreas que têm resíduo de água. Destruição da fauna e flora é uma tragédia, acho que é a única palavra que encontro para descrever."

As fotos Sathler tirou de dentro da aeronave e até fez um vídeo, mas sem muita qualidade. Também conseguiu filmar já quando estava em segurança no solo. Mas o episódio deixou o experiente piloto com medo. "Em 22 anos de aviação nunca tinha visto ou ouvido falar de uma tempestade dessas no Brasil. Isso assistimos em deserto. Era areia, com cinzas. Era como se tivesse ligado um aspirador de pó invertido. E não tinha água, só poeira, tudo muito seco", explicou.

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