Pantanal é vulnerável, mas bem preservado

Em comparação à Mata Atlântica, bioma se encontra em bom estado; maiores danos estão no planalto pantaneiro

Karina Ninni, estadao.com.br

27 Maio 2010 | 11h58

Estudo divulgado nesta quarta sobre desmatamento no Pantanal confirma tendência de desmatamento no planalto pantaneiro, mas também aponta para boas condições de conservação na planície.

 

“Em comparação a biomas como a Mata Atlântica, por exemplo, o Pantanal está bem conservado. Só que existem diferenças entre a planície e o planalto”, afirma Michael Becker, Coordenador do Programa Pantanal da WWF Brasil. O estudo é resultado de um consórcio da instituição junto à Conservação Internacional, Embrapa Pantanal, SOS Pantanal, SOS Mata Atlântica e Fundação Avina. 

 

No planalto nascem os rios que alimentam os regimes sazonais de cheias e vazantes da planície. “Na parte alta resta apenas 41% de cobertura vegetal original, enquanto na planície, esse percentual é de 86%”, diz Becker.

 

Atividades como a agricultura mecanizada e a pecuária são os principais vetores de desmatamento do planalto pantaneiro, onde predomina a paisagem do cerrado. De acordo com os pesquisadores, não é a atividade em si o principal vilão, mas a maneira como ela é conduzida.

 

“Na planície, além do cultivo de arroz, existe uma pecuária extensiva tradicional, mas as pastagens ali são nativas. Já no planalto, elas são plantadas”, esclarece Carlos Padovani, biólogo da Embrapa Pantanal. A Embrapa vem realizando levantamentos sobre desmatamento no bioma desde 2000. Segundo Padovani, a tendência é a do aumento do desmatamento.

 

“O desmatamento traz consigo outros problemas, como erosão, que provoca assoreamento dos rios da região. Mas sua consequência mais perversa é a manutenção de um sistema em que a qualidade de vida e a renda das pessoas do pantanal não mudam para melhor”, raciocina Padovani.

 

A metodologia utilizada cruzou imagens de satélite com fotos feitas in loco, para que as estimativas tivessem pouca margem de erro.

 

"Percorremos 3.700 quilômetros de carro e utilizamos cerca de mil fotografias georeferenciadas para nos certificarmos de que aquilo que as imagens de satélite mostravam era o que realmente estava acontecendo", esclarece Becker.

 

O relatório foi apresentado para o governo do estado do Mato Grosso do Sul, o Ibama e a Associação de Agricultura do MS. 

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