Países se atêm a metas de CO2 antes de prazo final

O mundo vem demonstrando entusiasmo apenas morno por um "acordo de Copenhague" para frear as mudanças climáticas, sem dar sinal até agora de cortes maiores que os previstos anteriormente para até 2020 nas emissões de gases-estufa, antes do prazo final fixado para 31 de janeiro.

ALISTER DOYLE, REUTERS

22 Janeiro 2010 | 15h19

Em Bruxelas, um esboço de uma carta da União Europeia visto na sexta-feira trazia planos para o bloco de 27 países reiterar sua oferta mínima de corte de 20 por cento nas emissões até 2020 em relação aos níveis de 1990, agradando à indústria, e de 30 por cento se outros países agirem comparavelmente.

Outros países provavelmente também farão o mesmo. A cúpula de Copenhague, em dezembro, terminou com um acordo pouco ambicioso. Desde então, nenhum país anunciou planos de ações muito mais ousadas.

"Acho que os países vão se ater a suas metas anteriores", disse Nick Mabey, diretor do instituto de estudos E3G, em Londres. Para ele, ainda é cedo para uma revisão de metas nacionais.

"É quase como o começo de uma nova negociação", disse Gordon Shepherd, diretor de política internacional do grupo ambiental WWF.

Muitos países ainda estão divididos entre exibir "uma explosão de entusiasmo" para reativar o impulso após Copenhague ou, por outro lado, "cautela absoluta", tomando tempo para estudar seus próximos passos, disse Shepherd.

Até agora, poucos países enviaram cartas ao Secretariado de Mudanças Climáticas da ONU antes do prazo final de 31 de janeiro para a definição de metas para 2020, fixado pelo Acordo de Copenhague, redigido por grandes emissores liderados pela China e os Estados Unidos.

O acordo define a meta de limitar o aquecimento global para 2 graus Celsius acima dos tempos pré-industriais, mas omite detalhes sobre como isso será feito. Também apoia uma meta de 100 bilhões de dólares em ajuda aos países em desenvolvimento a partir de 2020.

E prevê que até 31 de janeiro os países ricos apresentem suas metas para reduções de emissões até 2020 e que os países em desenvolvimento devem apresentar propostas de ações para frear a alta de emissões, visando evitar mais ondas de calor, tempestades de areia, enchentes e elevação dos níveis dos mares.

A U.S. Climate Action Network disse que Brasil, Coreia do Sul, África do Sul, Gana, Austrália, França, Canadá, Papua-Nova Guiné e Maldivas já indicaram sua adesão ao acordo. Cuba disse que não participará.

O Secretariado da ONU se negou a comentar a lista.

A oferta provisória feita pelo presidente americano Barack Obama de corte de 17 por cento nas emissões até 2020 em relação aos níveis de 2005, ou seja, 4 por cento abaixo de 1990, ano tomado como referência pela ONU, pode ser mais difícil de concretizar desde que o Partido Democrata perdeu uma vaga chave no Senado, esta semana.

China, Índia, África do Sul e Brasil vão se reunir em Nova Délhi no domingo.

(Reportagem adicional de Pete Harrison em Bruxelas)

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