Países podem aumentar emissões de CO2, mesmo com metas atuais, diz Bolívia

Entre os exemplos de 'buracos' está a possibilidade de países como Rússia e Ucrânia venderem créditos

Afra Balazina, de O Estado de S. Paulo - enviada especial a Bonn

09 Junho 2010 | 17h49

Dados apresentados pelo governo da Bolívia durante reunião internacional sobre o combate ao aquecimento global que ocorre em Bonn, na Alemanha, indicam que as metas de corte das emissões dos gases-estufa dos países ricos na verdade podem permitir um aumento de até 8% das emissões em relação ao nível de 1990.

 

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Segundo o embaixador boliviano Pablo Solon, informações das Nações Unidas indicam que as metas propostas até agora podem levar no total a uma redução de 10% a 14% das emissões até 2017.

 

Porém, diz ele, se alguns "buracos" não forem fechados, o objetivo pode significar um aumento de 4% a 8% nas emissões em relação a 1990. O Painel do Clima da ONU afirma que, para evitar o aumento perigoso da temperatura da Terra, é preciso cortar as emissões entre 25% e 40% nesse primeiro momento.

 

Entre os exemplos de "buracos" está a possibilidade de países como Rússia e Ucrânia venderem créditos para outros países emitirem, o chamado "hot air". Isso porque, quando houve a queda da União Soviética, a crise econômica fez com as emissões caíssem muito mais do que a meta prevista para eles no Protocolo de Kyoto, gerando excedentes.

 

Outra manobra dos países é tentar afirmar que sua área de floresta é maior do que a real. Assim, o país pode emitir mais porque há mais absorção pelas árvores.   

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