Países pobres querem pacto para o clima em 2010

Muitos países em desenvolvimento insistiram na quarta-feira que um amplo tratado da Organização das Nações Unidas (ONU) seja aprovado em 2010, mesmo que outras nações estejam resignadas a conceder um prazo mais longo para combater o aquecimento global.

ALISTER DOYLE, REUTERS

09 Junho 2010 | 14h24

"Trata-se de nossa sobrevivência", disse Collin Beck, das Ilhas Salomão, vice-presidente da Aliança dos Pequenos Estados Insulares, que teme o aumento do nível dos oceanos do mundo provocado pelo aquecimento global.

Ele disse numa entrevista coletiva que o grupo insiste na aprovação de um tratado no próximo encontro anual de ministros do Meio Ambiente em Cancun, no México, de 29 de novembro a 10 de dezembro.

Muitos países ricos e alguns emergentes, como China, Índia e Brasil, presentes às conversações da ONU em Bonn que seguem até 11 de junho, admitem que um acordo legalmente vinculante talvez tenha de esperar, provavelmente até a reunião seguinte, em 2011, na África do Sul.

"Se não pudermos fazê-lo em Cancun e nos for apontada a via da Cidade do Cabo ou qualquer outra cidade, será uma lástima, será trágico, será um Holocausto", disse Quamrul Islam Chowdhury, de Bangladesh, principal negociador do Grupo dos 77 países pobres.

Os países pobres tais como Bangladesh e os Estados insulares do Pacífico afirmam serem os mais vulneráveis à mudança climática e que a produção de alimentos para milhões de pessoas serão atingidas pela desertificação, por enchentes, ondas de calor e elevação do nível dos oceanos.

Outros vários delegados, no entanto, acreditam que seja impossível aprovar um tratado em 2010 e que uma abordagem mais prática seria focar em questões como tecnologia verde, a garantia de ajuda aos pobres e a preservação das florestas, em vez de almejar um novo tratado vago.

Qualquer acordo em Cancun, porém, exige unanimidade. O voto dos países em desenvolvimento conta tanto quanto o da China ou o dos EUA, os principais emissores do mundo.

"Idealmente poderíamos ter um documento legalmente vinculante em Cancun, mas nós no Brasil e eu, pessoalmente, não acreditamos que isso seja possível", disse Sérgio Serra, embaixador do Brasil para mudança climática.

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