Países pobres exigem mais dos ricos para avançar sobre clima

Os países em desenvolvimento exigiram cortes mais profundos das emissões das nações ricas, em particular dos Estados Unidos, na conferência da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre o clima na Dinamarca na terça-feira, enquanto um estudo mostrou que 2009 é o quinto ano mais quente de que se tem registro.

EMMA GRAHAM-HARRISON E GERARD WYNN, REUTERS

08 Dezembro 2009 | 16h08

A primeira década deste século também foi a mais quente depois do início dos registros, informou a Organização Meteorológica Mundial, salientando a ameaça que os cientistas dizem que o planeta enfrenta com as temperaturas em ascensão.

Um número recorde de 15 mil participantes na conferência tenta chegar a um acordo sobre um pacto sobre o clima que combata a elevação no nível dos oceanos, a desertificação, enchentes e ciclones que poderão devastar economias e arruinar os meios de vida de milhões de pessoas.

Os negociadores, porém, enfrentam dificuldades para chegar a um acordo sobre a profundidade do corte nas emissões necessário para reduzir o ritmo da mudança climática e estão preocupados com o custo para suas economias de passar dos combustíveis fósseis (poluidores) para uma energia mais limpa.

"Estamos nos encaminhando para um bom começo", disse Yvo de Boer, chefe do Secretariado de Mudança Climática da ONU, a respeito da conferência que ocorre de 7 a 18 de dezembro.

Ele exortou os delegados a resolverem os detalhes técnicos do acordo, mas disse que as grandes questões, como as metas de emissões dos países ricos e os fundos para os pobres, teriam de esperar pela cúpula de 18 de dezembro à qual comparecerão mais de 100 líderes do mundo.

As propostas de cortes de emissão feitas pelos países ricos ficaram muito abaixo do necessário, afirmou à Reuters Dessima Williams, de Grenada, presidente da Aliança dos Pequenos Estados Insulares (Aosis, na sigla em inglês), que reúne 43 nações. A Aosis quer um corte de 45 por cento nas emissões até 2020 partindo-se dos níveis de 1990.

"Nossos 45 por cento permanecem sobre a mesa. A Alemanha está em 40, a UE como um todo e alguns outros países estão em 30. Este é o momento para expandir, para ser ambicioso", afirmou ela.

Washington, cuja oferta provisória de cortar as emissões em 17 por cento até 2020 a partir dos níveis de 2005 resulta em apenas 3 por cento abaixo dos níveis de 1990, disse na segunda-feira que tinha autoridade legal para reduzir as emissões que aquecem o planeta, uma posição saudada com cautela pelos delegados.

A Agência de Proteção Ambiental dos EUA determinou que os gases-estufa colocam em perigo a saúde humana, permitindo que seja capaz de regulamentá-la sem a necessidade de uma legislação do Senado, onde se encontra empacado um projeto de lei para cortar as emissões dos EUA até 2020.

"É bem-vinda. Não é boa o bastante de onde estamos, de fora", afirmou Williams. A Índia também se mostrou cautelosa.

"Os EUA é que devem indicar como essa vontade será refletida aqui nas negociações em termos de metas e como essas metas serão colocadas em prática", disse Shyam Saran, enviado especial da Índia para mudança climática.

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