Países pobres criticam metas de emissão para setores específicos

Os países em desenvolvimento rejeitaramna quarta-feira a possibilidade de adotarem limites para aemissão de gases do efeito estufa apenas em setores como o doaço e do cimento, afirmando durante negociações lideradas pelosEUA que tais metas acabariam por sufocar suas empresas. Outros países mostraram-se preocupados com a necessidade deque tais metas, defendidas pelo Japão como um elemento factíveldentro de um tratado mundial sobre o clima a ser adotado após2012, sejam um complemento aos grandes cortes que devem serrealizados pelos países industrializados. No total, 17 países, a Comissão Européia (Poder Executivoda União Européia, UE) e a Organização das Nações Unidas (ONU)vão se reunir na quinta-feira e na sexta, em Paris, para aterceira rodada de uma série de encontros convocada pelosEstados Unidos para encontrar formas de diminuir a emissão degases do efeito estufa. Na quarta-feira, em uma mesa de trabalho preliminarencarregada de avaliar se a indústria poderia adotar metassetoriais, coube à Índia liderar as objeções. Os planos dos países ricos sobre diminuir as emissões "nãodeveriam ser diluídos por uma postura setorial", disse R.Chidambaram, principal conselheiro do governo indiano para asquestões científicas. Segundo Chidambaram, há setores indianos que se contavamentre os mais limpos do mundo ao passo que outros tinham taxasmuito mais altas de consumo de energia. "Não se pode criar umapolítica mundial que acabará por sufocar esses outros." O Brasil também afirmou, durante o encontro, que os paísesricos deveriam concentrar-se principalmente em diminuir suaspróprias emissões. As negociações em Paris são a terceira de uma sérieconvocada para dirimir as críticas de que o presidente dos EUA,George W. Bush, não se empenha no combate às mudançasclimáticas. O dirigente não permitiu que seu país aderisse àsmetas de corte do Protocolo de Kyoto, que deixa de vigorar em2012. Em Washington, uma autoridade afirmou que Bush pretendiaconvocar uma paralisação do aumento das emissões a partir de2025 -- um plano muito mais tímido do que o defendido pelamaior parte dos países do mundo. "Acreditamos que a postura setorial oferece uma solução",afirmou Olivier Luneau, da fabricante de cimento Lafarge . Richard Baron, da Agência Internacional de Energia, disseque metas mais duras para apenas uma parte do setor industrial,como o do aço ou alumínio, poderiam favorecer países queignoravam os limites. "Nossa preocupação é com a possibilidade de tais esforçosserem anulados por um aumento das emissões fora das regiõesonde há limites", disse. A respeito do aço, por exemplo, Hiroyuki Tezuka, da JFESteel Corp, argumentou que os limites de emissão precisam serglobais a fim de funcionarem já que 40 por cento do metal eramcomerciados em mercados internacionais. Se houvesse apenas regras regionais, o resultado finalseria um desastre. A demanda por aço seria atendida com o açofabricado por meio de grande emissão de gás carbônico. É porisso que precisamos adotar um ângulo setorial, afirmou.

ALISTER DOYLE, REUTERS

16 de abril de 2008 | 13h42

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