Países não chegam a acordo sobre limites de emissão

G20 se reúne no Japão para discutir novas metas para o período pós Protocolo de Kyoto

EFE

15 de março de 2008 | 10h57

Os representantes dos países que emitem mais gases poluentes no mundo levantaram neste sábado, 15, a possibilidade de estabelecer novos limites obrigatórios de emissões de dióxido de carbono e fixar cotas de poluição por setores de produção. No entanto, os cerca de 60 representantes governamentais reunidos em Chiba (leste do Japão) na cúpula do G20 (grupo dos países em via de desenvolvimento) encerraram o primeiro dos dois dias de diálogo sobre a mudança climática sem chegar a um acordo sobre estas duas questões.  Um dos objetivos estabelecidos para a era pós Protocolo de Kyoto e que foi discutido durante o primeiro dia foi a redução, pelo menos à metade, da emissão mundial de gases que intensificam o efeito estufa até 2050, segundo a agência de notícias japonesa "Kyodo". Para alcançar este objetivo é preciso impedir o lançamento na atmosfera de pelo menos 40 bilhões de toneladas de gases que causam o efeito estufa. A proposta de estabelecer um limite legal de máximo de emissões a longo prazo tem o apoio dos países da União Européia (UE). Apesar disso, duas das grandes nações industrializadas e também dos maiores emissores de CO2, Estados Unidos e Japão, se opõem à medida, segundo a "Kyodo". Na mesma linha, o ex-primeiro-ministro do Reino Unido Tony Blair fez referência à proposta durante seu discurso, proferido nesta manhã, e sugeriu que os países participantes do G20 considerassem a possibilidade de estabelecer limites legais e globais de redução das emissões de CO2. Já o Japão propôs que as potenciais emissões de gases poluentes sejam calculadas setor por setor, ou seja, separar, por exemplo, a indústria de geração de energia da siderúrgica. De acordo com a "Kyodo", a idéia japonesa, que contou com um grande apoio no G20, encontrou a oposição de países em desenvolvimento como Brasil, África do Sul e Indonésia, que manifestaram seu temor de que sejam obrigados a cumprir cotas injustas para eles. O estabelecimento de cotas especiais e realistas para este tipo de países emergentes é outra questão debatida nesta conferência, organizada no centro internacional de conferências japonês Makuhari Messe (Chiba). Entre os países que participam da conferência estão Brasil, China, França, Alemanha, Índia, Japão, Rússia e Coréia do Sul, responsáveis por 80% das emissões mundiais de dióxido de carbono. Durante o dia foi discutido o desenvolvimento de tecnologias mais ecológicas, assim como investimento e financiamento. Neste domingo, 16, será debatido o marco a ser estabelecido a partir de 2013. Nesta reunião, a quarta e última dentro do marco da Cúpula Ministerial do Diálogo de Gleneagles do G8 (grupo dos oito países mais desenvolvidos e a Rússia) sobre Mudança Climática, Energia Limpa, e Desenvolvimento Sustentável, o objetivo é renovar e avançar no compromisso alcançado em 1997 com o Protocolo de Kyoto.Este acordo internacional, que expira em 2012, obriga os países industrializados a reduzir suas emissões de gases que intensificam o efeito estufa em entre 6% e 8% em comparação com os níveis de 1990. No final do mês, a ONU organiza em Bangcoc uma nova rodada de negociações para estabelecer compromissos internacionais para o cuidado do meio ambiente a partir da era pós Protocolo de Kyoto. No entanto, a questão das energias limpas e o desenvolvimento sustentável voltarão a ser um dos temas centrais da cúpula do G8, que ocorrerá entre 7 e 9 de julho deste ano, na região do lago Toya na ilha de Hokkaido, no norte do Japão.

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