Países em desenvolvimento prometem resistir a pressões em Bali

Os países emdesenvolvimento, entre eles o Brasil, disseram nestasexta-feira que vão resistir à "pressão e até às ameaças" dealguns países ricos nas difíceis negociações sobre o pacto paracombater o aquecimento global. Cerca de 190 países estão reunidos em Bali, na Indonésia,no que era para ser o último dia de uma conferência que começouno dia 3. A secretaria-geral da ONU decidiu retomar aconferência no sábado. O G77, que reúne países em desenvolvimento, afirmou nãoestar disposto a tomar novas medidas para cortar as emissões decombustíveis fósseis, por temer que isso afete seu crescimentoeconômico, que visa a tirar milhões de pessoas da pobreza. Mesmo assim, a principal autoridade da ONU para a mudançaclimática, Yvo de Boer, estava otimista. "Estamos prestes achegar a um acordo. Não há impasse", disse ele a repórteres. O objetivo é estabelecer os parâmetros de um acordo quesuceda o Protocolo de Kyoto, a partir de 2013. O G77 compreende 150 países em desenvolvimento, entre elesChina, Índia e Brasil. O grupo tem sofrido "forte pressão" paraconter suas emissões de gases-estufa, segundo seu presidente,Munir Akram. "Por enquanto os países em desenvolvimento conseguiramresistir às pressões e até ameaças que temos enfrentado paraassumir compromissos", disse ele. A ONU quer que os países cheguem a um acordo até 2009. Opacto teria que incluir todos os países, incluindo os EstadosUnidos. O Protocolo de Kyoto, pela redução de emissões, éobrigatório para todos os países desenvolvidos, com a exceçãodos EUA, que se recusaram a aderir. Os países emdesenvolvimento estão isentos. A meta é cortar as emissões atéchegar a um nível 5 por cento abaixo dos de 1990. Para Akram, os países ricos deveriam assumir a liderança,principalmente os EUA. Entre os países desenvolvidos, cresceu o otimismo nasexta-feira, já que a União Européia amenizou o discurso e oconfronto com os EUA quanto às metas de corte. A idéia é abandonar a meta de corte de entre 25 e 40 porcento das emissões até 2020. Segundo De Boer, seria mantido oobjetivo geral de que até 2050 os níveis estivessem bem abaixode 50 por cento dos de 2000. A conferência também criou na sexta-feira um esquema depreservação de florestas tropicais, pelo qual serão lançadosprojetos-piloto para combater o desmatamento e a degradação deflorestas. Enquanto isso, ativistas entregaram aos Estados Unidos e aoCanadá o prêmio "fóssil do ano" pelas menores contribuiçõespara as negociações. (Reportagem adicional de Adhityani Arga, EmmaGraham-Harrison, Gerard Wynn e Sugita Katyal em Bali e de EdDavies em Dili; Texto de Alister Doyle e David Fogarty)

GDE ANUGRAH ARKA, REUTERS

14 de dezembro de 2007 | 14h06

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