Países em desenvolvimento exigem discutir as metas dos ricos

Eles se recusam a participar dos grupos de trabalho enquanto o assunto não for prioridade em Copenhague

Michael Casey, AP

14 Dezembro 2009 | 12h39

China, Índia e outras nações em desenvolvimento paralisaram as discussões sobre o clima na ONU na segunda-feira, provocando um impasse. O motivo: a exigência de que os países ricos discutam cortes muito mais profundos nas suas emissões de gases com efeito de estufa. Representantes de países em desenvolvimento - um bloco de 135 - disseram que as nações se recusam a participar dos grupos de trabalho até que o problema seja resolvido.

 

 

A mudança de postura foi um retrocesso nas negociações de Copenhague, que já vinham vacilando com a longa disputa entre países ricos e pobres sobre cortes de emissões e sobre financiamento para  mitigação das mudanças climáticas e adaptação. A disputa se acirrou agora que a conferência entrou na sua segunda semana, e apenas alguns dias antes da chegada de mais de 100 líderes mundiais, incluindo o presidente Barack Obama.

   

 

"Nada está acontecendo neste momento", afirmou Zia Hoque Mukta, um delegado de Bangladesh. Segundo ele, os países em desenvolvimento exigiram que a presidente da conferência, Connie Hedegaard, priorizasse a questão das metas de emissão das nações industrializadas na agenda de discussões para que as negociações possam continuar.

 

 

Os países pobres, apoiados pela China, dizem que Hedegaard tinha levantado a suspeita de que a conferência poderia "enterrar" o Protocoo de Kyoto, que limita as emissões de carbono por países ricos e a aplicação de sanções pelo não cumprimento desses objetivos. Eles querem estender esse tratado porque ele institucionaliza o comprometimento das nações ricas com a redução das emissões, mas não faz qualquer exigência juridicamente vinculativa às nações em desenvolvimento. Os Estados Unidos nunca ratificaram o Protocolo, alegando que outros grandes emissores gases de efeito estufa, como a China e a Índia,  não foram obrigados a tomar medidas mensuráveis.

 

 

"A confiança é uma questão importante. Nós perdemos a fé em Hedegaard", disse Mukta, referindo-se

à presidente da COP-15.

 

 

Um delegado africano afirmou que os países em desenvolvimento decidiram bloquear as negociações em uma reunião horas antes do início da conferência currículo. Ele não quis se identificar porque a reunião foi realizada a portas fechadas. Segundo ele, toda vez que China, Índia ou outro país levantava a proposta de protelar as negociações, choviam aplausos.

 

   

O chefe geral de clima da ONU, Yvo de Boer, disse que Hedegaard estava fazendo consultas informais com delegados "para fazer as coisas acontecerem."

 

 

De Londres, o  porta-voz do primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, disse que ele vai chegar em Copenhague na terça (15), dois dias mais cedo do que o previsto, na tentativa de injetar dinamismo nas negociações sobre o clima. "Sua visão é que essas negociações não podem esperar até o último minuto. Ele acredita que aprendemos as lições do G-20, e que é preciso liderança para tentar fechar um acordo o mais rapidamente possível,''disse o porta-voz de Brown, Simon Lewis.

 

 

Ele negou que Brown - que enfrenta uma eleição nacional em junho - esteja buscando crédito pessoal ao tentar negociar um acordo. "Ele não está querendo se projetar. Mas realmente acredita que, se os líderes mundiais puderem, eles devem estar lá em Copanhaghe mais cedo,''disse o porta-voz.

 

 

No início segunda-feira, o secratério britânico para mudanças climáticas, Ed Miliband, disse que cabe a ele e a seus colegas em Copenhague ajudar a criar uma ponte sobre o fosso que divide países ricos e pobres, até para não deixar tudo para ser feito pelos 100 líderem mundiais - incluindo o presidente Barack Obama - que começam a chegar quarta-feira (16).

 

 

"Ainda há questões difíceis no processo e na substância do acordo que temos de superar nos próximos dias,'' disse Miliband. "Conseguiremos obter a redução de emissões que precisamos? Só com maior ambição dos outros, e é isso que estamos tentando."

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