Países do Mercosul discutem Biodiversidade em Brasília

I Fórum de Biodiversidade das Américas reúne cientistas, políticos e gestores públicos para discutir proteção da diversidade biológica na América Latina

estadao.com, Karina Ninni

06 Julho 2010 | 21h24

Representantes de países do Mercosul, como Argentina, Paraguai e Uruguai, estão reunidos com cientistas e gestores brasileiros desde segunda-feira no I Fórum de Biodiversidade das Américas, em Brasília, evento que também marca a 19ª Reunião dos Jardins Botânicos Brasileiros. O encontro, coordenado pelo Jardim Botânico de Brasília, termina na sexta-feira e tem como objetivo a troca de experiências, a discussão de soluções e a elaboração de uma agenda comum de conservação da biodiversidade.

 

"Nestes dois primeiros dias de encontro, o foco da discussão foi a inclusão da questão da biodiversidade na agenda do Parlamento do Mercosul", resumiu Dácio Roberto Matheus, presidente da Rede Brasileira de Jardins Botânicos. Segundo ele, uma demanda comum entre os vários países participantes do evento foi a manutenção de áreas representativas dos diversos ecossistemas da região e a elaboração de tratados comuns de comercialização de espécies de fauna e flora. "Isso exige uma agenda integrada", diz Matheus.

 

A secretária de Biodiversidade e Florestas do Ministério do Meio Ambiente (MMA), Maria Cecília Wey de Brito, citou a contribuição do Brasil com 75% das áreas protegidas criadas no mundo nos últimos oito anos e os primeiros resultados do monitoramento dos biomas por satélite, que contribuem para políticas de combate ao desmatamento.

 

"Já foram divulgados os dados de Cerrado, Caatinga e Pantanal, e devem ser anunciados, ainda este ano, os dados de Pampa e Mata Atlântica", disse Maria Cecília.

 

Outro avanço citado pela secretária de Biodiversidade e Florestas é a discussão de um protocolo internacional sobre acesso e repartição de benefícios oriundos do uso da biodiversidade, que deverá ser apresentado em outubro deste ano em Nagoya, no Japão, durante a 10ª Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB).

 

Maria Cecília, porém, alertou para um problema que, em sua opinião, deve ser discutido com mais calma durante o evento. "Os países signatários da Convenção sobre Diversidade Biológica se colocaram metas, mas nem sempre conseguem cumpri-las. Agora, deverão discutir novas metas para o decênio 2010-2020, mas têm de dar um jeito de alcançar a metas propostas".

 

A CDB é o principal fórum mundial na definição do marco legal e político para temas e questões relacionados à biodiversidade (168 países assinaram a CDB e 188 países já a ratificaram, tendo estes se tornado Parte da Convenção). O Brasil foi o primeiro país a assinar a Convenção sobre Diversidade Biológica, resultado direto da Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento - CNUMAD (Rio 92).

 

"As políticas propopstas pela CDB também norteiam as ações dos Jardins Botânicos brasileiros, que são fundamentais para a conservação da biodiversidade, pois são os últimos redutos de coleções científicas que incluem plantas ameaçadas de extinção", esclarece Matheus.

Ele afirma que dos 35 Jardins Botânicos brasileiros, a maioria é municipal, o que faz com que a administração desses parques sofra descontinuidades, muitas vezes provocadas por mudança de governos e falta de recursos. "Dos 35, apenas seis têm uma equipe própria de pesquisadores, embora todos procurem manter uma agenda de pesquisas, muitas vezes em parcerias com universidades e instituições afins", diz Matheus.

 

Segundo ele, o encontro em Brasília é importante porque os Jardins Botânicos deverão discutir a revisão do Plano de Ação proposto para o período 2010-2020. "Por isso, convidamos alguns representantes latino-americanos que podem nos relatar experiências exitosas, e aprender com as nossas também", acredita.

 

 

Para Maria Cecília, o fato do evento ser realizado na capital federal amplia o âmbito do discurso. "Um evento em Brasília chama a atenção e pode levar o debate para outras instâncias", conclui.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.