Países buscam incentivos fiscais para captura de carbono em próximo acordo climático global

Incentivos fiscais para captura de carbono devem ser parte do acordo sobre mudanças climáticas que substituirá o Protocolo de Kyoto, disseram em uma declaração conjunta nesta terça-feira 56 países que pertencem à Comissão Econômica das Nações Unidas para a Europa (Unece).

REUTERS

25 Novembro 2014 | 09h24

A recomendação dos Estados-membros da Unece coloca a questão formalmente na mesa para o encontro da Convenção-Quadro das Nações Unidas Sobre Mudanças Climáticas em dezembro de 2015, em Paris, que buscará um acordo vinculativo para substituir Kyoto. 

Delegados de quase 200 países se encontrarão no Peru no mês que vem para trabalhar no acordo, em meio a novos alertas científicos sobre os riscos de inundações, ondas de calor, acidificação dos oceanos e aumento dos níveis do mar. 

A recomendação da Unece diz que o desenvolvimento comercial de captura de carbono e armazenamento (CSS, na sigla em inglês) -retirando dióxido de carbono da atmosfera para reduzir a concentração de gases-estufa- não tem apoio político suficiente, e deveria ter, pelo menos, tanto apoio quanto outras tecnologias de baixo carbono. 

“Um acordo internacional pós-Kyoto deve aceitar uma ampla gama de instrumentos fiscais para encorajar CCS/CCUS (utilização de captura de carbono e armazenamento), mas a seleção de instrumentos deve ser deixada à discrição dos governos nacionais”, disse o comunicado da Unece. 

Os governos devem, também, trabalhar juntos para patrocinar financeiramente projetos demonstrativos, de acordo com a entidade. 

Aumentar fontes alternativas de energia, como eólicas e solares, não seria o suficiente para lidar com a mudança climática, considerando que essas tecnologias não fazem nada para reduzir o dióxido de carbono que já se acumulou na atmosfera, o qual, segundo a ONU, está causando o aquecimento global e perigosos aumentos na acidez dos oceanos. 

“Cimento, aço, produtos químicos, processo de refino e meios de transporte estão entre os muitos setores que devem ser tratados de uma maneira semelhante ao setor de energia e de um jeito que se direcione às preocupações sobre os efeitos da competitividade internacional”, disse o comunicado. 

“Dirigir-se propriamente quanto a CCS/CCUS em um acordo internacional pode ser uma das poucas estratégias capazes de progredir para um rápido uso de CCS como uma parte importante das atividades de globais de redução de CO2”. 

O número de grandes projetos de CCS dobrou desde 2010, para 22, e a tecnologia teve um marco neste ano, com o começo da primeira usina energética a carvão equipada com CCS, disse o Instituto Global de CCS no começo deste mês. 

Os altos custos do CCS -como capturar dióxido de carbono dos gases expelidos de usinas de energia ou retirar o carbono do gás natural- tem desencorajado maiores investimentos, apesar das preocupações sobre mudanças climáticas. 

(Por Tom Miles)

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