Wilton Junior/Estadão
Wilton Junior/Estadão

País vai criar áreas de proteção gigantes

Extensão do território protegido subirá do atual 1,5% para 25%

Herton Escobar, O Estado de S.Paulo

06 Março 2018 | 03h00

O presidente Michel Temer deu luz verde ontem para a criação de duas das maiores unidades de conservação marinha do mundo em território nacional, com uma área somada de quase 1 milhão de quilômetros quadrados – mais de três vezes o tamanho do Estado de São Paulo. 

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A proposta, defendida pelos Ministérios do Meio Ambiente e da Defesa, prevê a criação de dois grandes blocos de áreas protegidas marinhas, ao redor dos dois territórios mais distantes e isolados da costa brasileira: os arquipélagos de São Pedro e São Paulo, e Trindade e Martin Vaz.

O aval presidencial foi dado após encontro de Temer com a oceanógrafa americana Sylvia Earle, um dos grandes ícones da conservação marinha no mundo. Ela veio ao País para lançar seu livro, A Terra é Azul, pela editora Sesi-SP, e fez uma palestra na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), onde defendeu a criação de grandes áreas protegidas marinhas como crucial para garantir a preservação da vida nos mares e, consequentemente, em todo o planeta. “Se falharmos em cuidar dos oceanos, as florestas não poderão existir, nós não poderemos existir”, disse a pesquisadora, de 82 anos, ressaltando a papel central dos oceanos na regulação do clima global.

O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, por sua vez, disse que a proteção dos mares será uma “bandeira” do empresariado paulista daqui para frente; e como “prova” apresentou uma carta a Temer pedindo a criação das unidades.

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Diversas organizações científicas e ambientalistas também declararam apoio à iniciativa nas últimas semanas. “Falta pouco para concretizarmos um dos maiores passos da proteção marinha da nossa história”, diz o site do movimento #éahoradomar, lançado por dezenas de ONGs ambientalistas.

As propostas foram apresentadas no início de fevereiro e seguem em consulta pública até o fim desta semana. “Acabado o prazo da consulta, o presidente poderá assinar os decretos”, disse o ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho. Segundo ele, “não houve nenhuma objeção” à criação das unidades até agora. A expectativa é que os decretos sejam publicados no dia 19, durante o Fórum Mundial das Águas, em Brasília. 

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Com isso, a cobertura de áreas protegidas no território marinho brasileiro subirá do atual 1,5% para 25% – suficiente para cumprir a chamada “meta de Aichi”, que pede 10% de proteção para ecossistemas marinhos e costeiros.

Gigantismo

Cada bloco de área protegida será do tamanho do Estado do Paraná, com mais de 400 mil km², incluindo duas categorias de proteção: uma área de proteção integral, chamada Monumento Natural (Mona), para proteger os ecossistemas mais rasos e sensíveis das ilhas, cercada por uma grande Área de Proteção Ambiental (APA) em mar aberto, estendendo-se até 200 milhas náuticas de cada arquipélago. 

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O mosaico de São Pedro e São Paulo terá 40,7 milhões de hectares de APA e 4,2 milhões de hectares de Mona. Em Trindade e Martin Vaz serão 40,2 milhões de hectares de APA e 6,9 milhões de hectares de Mona.

Segundo especialistas, essas áreas abrigam espécies ameaçadas e endêmicas – que não existem em nenhum outro lugar –, além de formações geológicas únicas, que as tornam especialmente relevantes para conservação. 

“Agora estamos armados com conhecimento e oportunidade para agir”, celebrou Sylvia. 

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