País precisa de US$ 4 bi contra desmate, diz Minc na Polônia

Ministro do Meio Ambiente participa da Conferência do Clima e critica proposta extra-oficial de Obama

Andrei Netto, especial para o Estado de S. Paulo,

11 Dezembro 2008 | 10h16

O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, afirmou nesta quinta-feira, 11, em Poznan, na Polônia, que o Brasil precisa de US$ 3 bilhões a US$ 4 bilhões por ano para financiar a luta contra o desmatamento e a redução das emissões de gases de efeito estufa. Segundo ele, a estimativa do Ministério é de que o Fundo da Amazônia capte US$ 1 bilhão por ano. A diferença viria, segundo ele, de fundos internacionais e do mercado de carbono. Minc também criticou a proposta - ainda extra-oficial - do presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, de trazer até 2020 suas emissões de CO2 ao mesmo patamar de 1990 - prevendo 0% de redução. "É muito fraco. O importante é que os Estados Unidos se mexeu. Mas a coisa não muito interessante é que mexeu muito pouco. Isso é menos do que Kyoto."   Veja também:   Países chegam a acordo sobre metas para tratado pós-Kyoto Mundo não pode relaxar na questão climática, alerta ONU Brasil fica em 8º lugar em índice de mudança climática Mundo não espera Europa para acordo climático, diz De Boer UE enfraquece luta contra aquecimento, dizem ambientalistas Estudo diz que mercado de gases estufa cresceu 41% em 2008 Mudança climática pode elevar número de refugiados, diz ONU Plano federal prevê queda de 70% no desmatamento até 2018 Entenda a reunião sobre clima da ONU na Polônia Quiz: você tem uma vida sustentável?  Evolução das emissões de carbono    Acompanhe a reunião de Poznan  Andrei Netto fala sobre a reunião de Poznan  Andrei Netto fala sobre a reunião de Poznan (2)  Andrei Netto fala sobre a reunião de Poznan (3)  Página oficial da conferência    Minc informou o valor necessário contra o desamatamento em entrevista a jornalistas brasileiros pouco antes da primeira reunião de alto nível da 14ª Conferência do Clima das Nações Unidas, que termina na sexta-feira, 12. Segundo ele, apenas em Copenhague, em 2009, os delegados internacionais estipularão o montante global que deverá ser destinado à luta contra o aquecimento. Mas o Brasil tem, desde já, sua estimativa. "No caso brasileiro, nós precisaríamos de 3 a 4 bilhões de dólares ao ano. Nós pretendemos, apenas com o Fundo Amazônia, captar pelo menos 1 bilhão de dólares ano", explicou o ministro.   Até aqui, o Fundo da Amazônia - dependente de doações da comunidade internacional - tem apenas um doador, o governo da Noruega, que prometeu investir US$ 1 bilhão até 2015. "Para este ano nós teremos 150 milhões de dólares", assegurou, garantindo que as atividades devem começar em fevereiro. Conforme Minc, a Alemanha, a Suíça e a Dinamarca estão interessados em doar recursos. "A Alemanha provavelmente será o segundo doador", afirmou o ministro.   Luta contra o aquecimento   Em Poznan, os delegados brasileiros defendem um modelo híbrido de financiamento da luta contra o aquecimento global. A idéia é de que haja um ou vários fundos mundiais que receberiam doações voluntárias de nações desenvolvidas. A este modelo se somaria o mercado de carbono. O Brasil, porém, não aceita que os países mais poluidores livrem-se de reduzir suas emissões por meio da compra créditos.   Sobre a participação do país em Poznan, Minc acredita que o anúncio do Plano Nacional de Mudanças Climáticas (PNMC) elevou o Brasil à posição de protagonista. "O Brasil não tinha plano, agora tem; não tinha metas, agora tem. Nossa expectativa é de que consigamos influenciar outros países em desenvolvimento. Também nos dá mais moral para cobrar dos países desenvolvidos metas e recursos."   Com base no suposto "novo status", o país pretende propor a criação da Aliança Tecnológica de Inovações Anti-Aquecimento (Atia). O projeto sistematizaria a transferência de tecnologias de combate ao aquecimento global de países ricos para emergentes. O mecanismo compensaria, com recursos internacionais, o detentor da patente de inventos considerados relevante na luta contra as mudanças climáticas.   "Talvez esta aliança tenha mais força do que a idéia da transferência de tecnologia, que não colou", avaliou Minc. "É uma proposta que trazemos, em comum acordo com países como a Noruega e a Alemanha, que estão bem antenados."

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