País inaugura supercomputador para pesquisas climáticas

Batizado de Tupã, equipamento é capaz de realizar 258 trilhões de cálculos por segundo

Gerson Monteiro, O Estado de S.Paulo

29 Dezembro 2010 | 13h30

Já está funcionando o novo supercomputador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), capaz de realizar 258 trilhões de cálculos por segundo. Batizado de Tupã, o equipamento amplia em 50 vezes a capacidade do País no processamento de estudos climáticos, colocando o Brasil em destaque no cenário internacional.

 

Instalado em Cachoeira Paulista, a 206 quilômetros de São Paulo, o supercomputador permitirá que setores como transporte e agricultura possam trabalhar com planejamento, uma vez que o sistema atual não tem tanta precisão em relação a fenômenos extremos, como chuvas intensas, secas e geadas.

 

Com modelos de processamento que permitem a simulação aprofundada, o Tupã vai garantir aos pesquisadores respostas mais confiáveis e precisas. Segundo Gilvan Sampaio, pesquisador do Inpe, o novo sistema terá aplicação regional e atenderá toda a América do Sul, já que os centros de pesquisas climáticas do exterior não oferecem esse serviço. Para Carlos Henrique Cruz, diretor científico da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), o Tupã é "o olhar global do ponto de vista dos brasileiros".

 

O supercomputador será útil em pesquisas sobre atmosfera, oceanos, superfície terrestre e química da atmosfera. "Será possível analisar, por exemplo, a temperatura da superfície do mar, a espessura do gelo na Antártida", explica Sampaio.

 

Estudos como a simulação de 200 anos estão programados para serem realizados até junho de 2011. Pesquisas mais sofisticadas, como análise do comportamento no fundo do mar, também deverão ser realizadas.

 

Um dos responsáveis pelo projeto, o pesquisador do Inpe Carlos Nobre, diz que o Tupã era a infraestrutura que faltava para o Brasil. "É fundamental para o planejamento estratégico do País em desenvolvimento sustentável."

 

Parcerias. O contrato de convênio prevê a abertura de espaço para que grupos de pesquisa, instituições e universidades integrantes da Rede Brasileira de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas (Rede Clima) utilizem o Tupã. Segundo Gilberto Câmara, diretor do Inpe, pela primeira vez o Brasil investiu recursos próprios, sem financiamento de estrangeiros, em um valor total de R$ 50 milhões.

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