Oposição a Obama ameaça boicotar lei sobre mudança climática

Embora não tenha votos para derrubar a medida, oposição pode evitar dar quórum às reuniões necessárias

Reuters e AP,

29 Outubro 2009 | 15h02

O avanço da lei apoiada pelo presidente dos EUA, Barack Obama, para combater a mudança climática pode ser detido por um grupo de senadores do Partido Republicano que estudam boicotar reuniões das comissões por onde o projeto terá de passar, disse um porta-voz dos legisladores.

 

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"Um boicote está na mesa como opção", disse Matt Dempsey, porta-voz dos republicanos da comissão de Meio Ambiente e Obras Públicas. "Certamente estamos encaminhados nessa direção".

 

A ameaça surge no último dia de audiências, na comissão, do projeto de lei do Partido Democrata para reduzir as emissões de gases causadores do efeito estufa pela indústria americana.

 

A senadora Barbara Boxer, que preside o comitê, pode tentar aprovar a lei na comissão na próxima semana, apenas com os votos dos senadores democratas.

 

Ela pretende fazer a lei avançar para fora de sua comissão quanto antes, a fim de dar impulso à conferência das Nações Unidas sobre a mudança climática, marcada para dezembro em Copenhague. A indefinição da situação americana está fazendo com que muitos países industrializados evitem assumir compromissos para as negociações na capital dinamarquesa, e a ONU já espera que um tratado final sobre cortes de gases emissões do efeito estufa só fique pronto em 2010.

 

Mas se todos os sete republicanos da comissão se recusarem a aparecer, ela não será capaz de abrir a reunião, disse Dempsey.

 

Durante as audiências desta semana, os republicanos exigiram mais detalhes sobre os impactos econômicos do projeto. A chefe da Agência de proteção Ambiental (EPA) do governo americano, Lisa Jackson, afirmou que realizar uma simulação completa do efeito econômico poderia levar "de quatro a cinco semanas".

 

Defesa

 

Na quarta-feira, 28, a comissão ouviu depoimentos sobre as implicações do aquecimento global para a defesa nacional dos EUA. "Nossos desafios econômicos, energéticos e de mudança climática estão intimamente ligados", disse o vice-almirante reformado Dennis McGinn. "Se não enfrentarmos esses desafios de forma audaz e no tempo certo, governos frágeis têm um grande potencial de se converter em Estados fracassados... um campo fértil para extremismo".

 

"As vulnerabilidades americanas à mudança climática estão ligadas ao destino de outras nações", disse a subsecretária adjunta de Defesa Kathleen Hicks. Ela disse que especialistas do setor acreditam que a mudança tornará mais complexos os desafios à segurança nacional.

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