ONU vê mais sinais de ação humana na mudança climática

Próximo relatório do IPCC terá informações mais consistentes, avalia chefe de comissão científica

Alister Doyle, Reuters

29 de novembro de 2012 | 12h17

DOHA - Os indícios de que o aquecimento global seja causado pelo ser humano estão se tornando mais fortes, disse o chefe de uma comissão científica da ONU, em um novo golpe para os céticos que tentam atribuir a mudança climática a variações naturais.

Falando à Reuters durante a conferência climática do Catar, onde 200 nações discutem um novo acordo para limitar as emissões de gases do efeito estufa, Rajendra Pachauri disse que o novo relatório do Painel Intergovernamental sobre a Mudança Climática (IPCC, uma comissão da ONU), a ser divulgado em 2013, deve citar uma probabilidade ainda mais expressiva para a associação entre a atividade humana e a mudança climática.

No relatório anterior do IPCC, em 2007, os cientistas estimaram em "pelo menos 90%" a chance de que o clima esteja sendo afetado pela queima de combustíveis fósseis e outras atividades humanas.

"Certamente temos uma quantidade substancial de informação disponível com a qual esperamos poder estreitar certas lacunas, elevar o grau de certeza das nossas conclusões", disse ele. "Desta vez teremos muito mais informações sobre o degelo da Groenlândia e Antártida. Espero termos um pouco mais de informações sobre o aumento do nível dos mares", acrescentou.

O último relatório do IPCC previa uma elevação de 18 a 59 centímetros no nível médio dos mares até 2100, por causa do degelo das calotas polares. Essa elevação representa uma grande ameaça para populações de lugares baixos, de Bangladesh a Nova York. A cifra anterior não levava em consideração a possível aceleração do degelo na Antártida e Groenlândia, onde restavam grandes incertezas.

Alguns cientistas e organizações céticos questionam a influência humana no clima, lembrando que há variações naturais na Terra e na atividade solar. Eles também sugerem que o aquecimento pode estar se estabilizando, com base em dados mostrando que 1998, 2005 e 2010 estão empatados como os anos mais quentes desde o início dos registros, em meados do século 19.

Mas um estudo divulgado no Catar ampara as projeções do IPCC de que as temperaturas continuam subindo, e que o nível do mar se eleva com mais rapidez do que em estimativas anteriores.

O principal objetivo da reunião de Doha é aprovar uma prorrogação do Protocolo de Kyoto, que expira no final deste ano. Esse tratado internacional previa que nações desenvolvidas deveriam, no período de 2008-2012, reduzir suas emissões de gases do efeito estufa em pelo menos 5,2% com relação aos índices de 1990.

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