ONU vê futuro para esquema de carbono apesar de queda no preço

O mercado de compensação de carbono tem um longo futuro para ajudar o mundo a reduzir as emissões de gás do efeito-estufa, mesmo com os preços do carbono atingindo recordes de baixa, disse o presidente-executivo do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (CDM, na sigla em inglês) da Organização das Nações Unidas (ONU) na quinta-feira.

NINA CHESTNEY E JEFF COELHO, Reuters

19 Julho 2012 | 16h13

Os créditos de carbono apoiados pela ONU, chamados de reduções certificadas de emissões (CERs), caíram cerca de 70 por cento ao longo dos últimos 12 meses, com a grande oferta de créditos por causa da queda na demanda devido a desaceleração da economia. O contrato CER de referência atingiu recordes de baixa ao cair para abaixo de 3 euros esta semana.

Os preços baixos do carbono paralisaram os investimentos na tecnologia de baixo carbono, suscitando dúvidas sobre se há algum ponto no Protocolo de Kyoto de 1997 e seus mecanismos com base no mercado, especialmente o CDM.

"Não vejo os preços baixos atuais afetando a longevidade do CDM", disse Maosheng Duan, o presidente do conselho executivo do CDM, disse em um comunicado enviado por email.

"O CDM é um mecanismo maduro que já provou sua validade", disse ele. "Pode-se facilmente prever um papel maior para o CDM como fornecedor de compensações de qualidade para os diversos sistemas emergentes de comércio de emissões em diversas partes do mundo."

O Protocolo de Kyoto é o único pacto legalmente vinculante que impõe limites nas emissões de gases do efeito estufa, responsabilizados por contribuir para as mudanças climáticas, como secas e inundações.

Os esquemas de compensação da ONU, porém, removerão no máximo 2 bilhões de toneladas de dióxido de carbono (CO2) equivalentes ao longo de um período de cinco anos até 2012, afetando um pouco as emissões de 170 bilhões de dólares nesse período, dizem os analistas.

Sob o CDM de 22 bilhões de dólares, governos e empresas em países desenvolvidos podem obter créditos de carbono investindo em projetos de baixo carbono nos países em desenvolvimento. Eles podem usar os créditos para alcançar as suas metas de Kyoto.

Mais conteúdo sobre:
AMBIENTEONUCARBONO*

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.