ONU pede maior pressão sobre líderes contra aquecimento

'Quero que pressão sentida aqui seja transferida aos líderes que se reunirão aqui amanhã', disse Ban Ki-moon

Efe,

21 Setembro 2009 | 19h27

Ban Ki-moon, Tony Blair e Hugh Jackman. Foto: AP

 

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu nesta segunda-feira, 21, à sociedade civil internacional que aumente a pressão sobre os líderes políticos que se reunirão na terça-feira, 22, em Nova York para tentar dar um novo impulso à luta contra a mudança climática.

 

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Ban fez essa convocação acompanhado pelo ex-primeiro-ministro do Reino Unido Tony Blair e o ator australiano Hugh Jackman, na cerimônia de abertura da chamada Semana da Mudança Climática em Nova York.

 

"Quero que a pressão sentida nesta sala seja transferida aos líderes que se reunirão aqui amanhã", disse o secretário-geral das Nações Unidas aos executivos de empresas e ativistas de ONGs presentes no ato, realizado na Biblioteca Pública de Nova York.

 

O evento serviu como prévia da cúpula que a partir de terça-feira reunirá na sede da ONU mais de 100 chefes de Estado e de Governo, convocados pelo secretário-geral para impulsionar as negociações de um novo acordo mundial para combater o aquecimento global.

 

Ban solicitou aos presentes que transmitam a seus Governos a necessidade de alcançar um acordo para reduzir as emissões de gases poluentes na conferência sobre mudança climática de dezembro próximo em Copenhague.

 

"É um imperativo moral e político que selemos um acordo em Copenhague", insistiu Ban, que assinalou que o objetivo da cúpula é "acelerar a passagem das negociações".

 

Ban pediu aos presidentes e primeiros-ministros que não atuem "apenas de acordo com seus interesses nacionais, mas como líderes mundiais que devem resolver um problema que afeta a todos".

 

Já Blair ressaltou que o importante nas negociações prévias à reunião de dezembro na capital dinamarquesa não é se concentrar em porcentagens concretas de redução de emissões, mas em "encaminhar o mundo para um menor consumo de dióxido de carbono".

 

"Na minha opinião há vontade política entre os líderes mundiais, mas a questão é traduzir essa vontade em um acordo", apontou.

 

Para ele, enquanto o Protocolo de Kyoto de 1997 sobre a mudança climática foi "um tratado que serviu para pôr este problema sobre a mesa", o pacto a ser conseguido em Copenhague "deve servir para resolvê-lo".

 

O ex-governante britânico insistiu que os negociadores em Copenhague devem acordar metas intermediárias para conseguir a redução de emissões, como em 2020, e assegurar que o novo tratado contenha medidas concretas para alcançá-las.

 

Blair foi o convidado de honra na abertura "da semana da mudança climática" junto a Hugh Jackman, ator famoso por sua interpretação do personagem Wolverine nos filmes da saga X-Men.

 

O australiano, embaixador da boa vontade da ONG World Vision, pediu que a resposta da comunidade internacional ao desafio do aquecimento global leve em conta os interesses dos países mais pobres.

 

"É impossível separar a mudança climática da pobreza porque não se pode resolver um sem o outro" advertiu Jackman, que apostou em um novo acordo sobre o tema que "funcione para todos".

 

Entre os presentes também estavam a ministra de Energia e Meio ambiente dinamarquesa, Connie Hedgaard, assim como os chefes das equipes negociadores de EUA, China e Índia.

 

Os quatro apostaram em alcançar em Copenhague um tratado que seja "justo e substantivo", embora tenham admitido as grandes dificuldades que enfrentam para reconciliar os interesses de cada membro da comunidade internacional.

 

"Hoje, se somos honestos, temos que reconhecer que o ritmo das negociações não é tão rápido como desejaríamos", apontou o enviado especial dos EUA para a mudança climática, Todd Stern.

 

Washington resiste a assinar um compromisso se economias emergentes, como China e Índia, que em breve superarão o Ocidente em quantidade de emissões absolutas, não aceitarem cortes específicos.

 

A Câmara de Representantes dos EUA aceitou recentemente impor pela primeira vez limites às emissões industriais, mas o Senado é, até o momento, reticente em ratificar tal medida.

 

China e Índia, por sua vez, consideram injusto pôr em risco seu crescimento econômico para solucionar um problema causado primeiramente pela poluição de países mais industrializados.

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