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ONU pede em reunião na Alemanha 'ação efetiva' contra o aquecimento

Negociadores de 185 países se reúnem para discutir acordo que substituirá o Protocolo de Kioto

Efe

01 Junho 2010 | 09h05

BONN - O secretário-executivo da ONU para mudança climática, Yvo de Boer, pediu nesta segunda-feira, 31, aos países reunidos em Bonn (Alemanha), em um encontro formal de negociações, que progridam no diálogo para conseguir uma ação efetiva em escala mundial contra o aquecimento global.

 

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Mais de 4.500 pessoas, sendo dois mil negociadores de 185 delegações, iniciaram em Bonn um encontro de duas semanas, em que os países buscarão avançar na configuração de um acordo internacional que possa substituir o Protocolo de Kioto, que expira em 2012.

 

"Agora os negociadores têm duas semanas para demonstrar que o processo caminha para algum lugar", afirmou De Boer em entrevista coletiva.

 

O secretário-executivo disse que os países "devem mostrar que existe um progresso" e intensificar o diálogo para que, da próxima cúpula, em Cancún (México), no fim do ano, surja uma "arquitetura operacional" que permita desenhar uma estratégia a longo prazo.

 

A ONU espera que essa "arquitetura operacional" possa se tornar um tratado internacional vinculativo na cúpula seguinte, que será recebida pela África do Sul em 2011.

 

Entre os acordos parciais que podem acelerar as negociações em Bonn, De Boer falou da concretização dos fundos de US$ 10 bilhões anuais, para entre 2010 e 2012, que os países industrializados prometeram em Copenhague, com foco na adaptação ao aquecimento global das nações em desenvolvimento.

 

Cúpula de Cancún

 

Outro dos aspectos importantes da negociação das duas próximas semanas, segundo De Boer, será definir quais serão as implicações específicas da tradução de um eventual acordo selado em Cancún a um tratado legal vinculativo.

 

Segundo ele, o resultado de Cancún dependerá da disposição dos EUA de ampliar seus objetivos de redução de emissões e dos compromissos voluntários que as nações em desenvolvimento venham a adotar. "Mesmo que os países industrializados reduzissem suas emissões em 100%, não solucionaríamos a mudança climática", apontou, em alusão à necessidade de que também os países emergentes façam uma contribuição maior à luta contra o aquecimento global.

 

Sobre a fragilidade do acordo de Copenhague, selado em dezembro e que se limitou a recolher as propostas de cada país sem falar em objetivos globais, De Boer insistiu que se trata de uma "importante declaração política de intenções", mas admitiu que não atendeu às expectativas.

 

As organizações ambientalistas reunidas em Bonn concordaram com De Boer em destacar a "desilusão" representada por Copenhague e criticaram o fato de s atuais propostas de redução não limitarem devidamente o aquecimento global.

 

"Com as medidas atuais a temperatura crescerá mais de 3 graus, algo que, segundo os estudos científicos, terá consequências catastróficas para o planeta", afirmou Raman Mehta, da ActionAid India, uma das 500 entidades que formam a rede Climate Action Network. Mehta disse que as negociações de Bonn não só deverão preencher os vazios deixados pelo acordo de Copenhague, mas também revitalizar "a boa fé e a vontade" do processo negociador.

 

O diretor de estratégia da Union of Concerned Scientists, Aiden Meyer, assinalou que um dos erros da reunião dinamarquesa foi as "expectativas díspares" de cada país e afirmou que, apesar de ser necessária cautela, um "pessimismo exagerado condenará Cancún ao fracasso".

 

Já Karisa Kosonen, do Greenpeace International, disse que os negociadores devem "aceitar explicitamente" que suas propostas não serão efetivas e "demonstrar que podem fazer mais" até alcançar um acordo que consiga "evitar o caos climático".

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