ONU dispara alarme ambiental antes da Rio+20

O crescimento populacional, a urbanização e o consumo vão causar danos irreversíveis ao planeta, disse nesta quarta-feira a ONU, que também fez um apelo por um acordo urgente sobre novas metas verdes para salvar o meio ambiente.

JEFF COELHO E DAVID FOGARTY, REUTERS

06 Junho 2012 | 12h38

O Programa Ambiental da ONU disparou o alarme no seu Panorama Ambiental Global 5 (GEO-5), publicado duas semanas antes da cúpula Rio+20, uma das maiores reuniões globais de meio ambiente dos últimos anos.

O encontro de 20 a 22 junho deverá atrair mais de 50.000 participantes de governos, empresas e grupos ambientalistas e de lobby para tentar definir novas metas em sete temas principais, incluindo água, alimentos, segurança e energia.

O GEO-5, que levou três anos para ficar pronto e é descrito pela Organização das Nações Unidas como seu principal exame da saúde do planeta, exorta os governos a criarem metas mais ambiciosas ou endurecer as já existentes que, em sua maioria, não foram cumpridas.

O tempo é curto, disse o subsecretário-geral da ONU e diretor-executivo do Pnuma, Achim Steiner, enquanto o planeta caminha para os 9 bilhões de pessoas até 2050 e a economia global consome quantidades cada vez maiores de recursos naturais.

"Se as tendências atuais continuarem, se os padrões atuais de produção e consumo dos recursos naturais prevalecerem e não puderem ser revertidos e 'dissociados', então os governos vão presidir com níveis sem precedentes de danos e degradação", disse Steiner em um comunicado.

Das 90 metas ambientais existentes mais importantes, apenas quatro estão fazendo progressos significativos, segundo o relatório.

Algumas das metas de sucesso incluem aquelas para evitar a destruição do ozônio e proporcionar o acesso a abastecimento de água limpa. Mas o documento detectou pouco ou nenhum progresso em 24 metas, como aquelas com o objetivo de abordar a mudança climática, o esgotamento dos recursos pesqueiros e a expansão da desertificação.

O Pnuma exortou os governos a concentrarem suas políticas sobre os principais fatores causadores de mudanças climáticas, destacando o crescimento populacional e urbanização, o consumo de energia baseada nos combustíveis fósseis e da globalização.

Os cientistas relacionaram a queima de combustíveis fósseis --carvão, petróleo e gás natural-- a uma aceleração das mudanças climáticas, como secas severas e inundações. Existem também custos econômicos.

O prejuízo econômico anual da mudança climática é estimado em 1 a 2 por cento do PIB mundial até 2100, se as temperaturas aumentarem em 2,5 graus Celsius, afirmou o Pnuma.

Os modelos atuais sugerem que as emissões de gases causadores de efeito estufa podem dobrar nos próximos 50 anos, levando ao aumento da temperatura global em 3 graus Celsius ou mais até o final do século.

A maioria dos impactos da mudança climática será sentida em muitos países em desenvolvimento, particularmente na África e na Ásia, onde o crescimento populacional e o aumento do consumo estão colocando mais ênfase na diminuição dos recursos naturais, segundo o relatório GEO-5.

DE VOLTA AO RIO

A cúpula Rio+20 não vai buscar o mesmo resultado da Cúpula da Terra do Rio há 20 anos, que levou ao Protocolo de Kyoto sobre limitação das emissões de gases de efeito estufa e a um tratado sobre a biodiversidade.

A reunião deste mês acontece sob o cenário de uma economia global em crise e diante de preocupações profundas sobre o futuro financeiro da Europa. Os objetivos desta vez no Rio são aspirações, não obrigações, mas as negociações sobre um esboço do texto final têm sido carregadas. Cerca de um quinto do texto já foi acordado antes da reunião, disse a ONU na segunda-feira.

Mesmo metas obrigatórias tiveram pouco ou nenhum progresso desde 1992.

As emissões globais de dióxido de carbono aumentaram quase 40 por cento entre 1992 e 2010, lideradas principalmente pelo rápido crescimento nas grandes nações em desenvolvimento como Brasil, China e Índia, mostraram os dados do Pnuma.

A biodiversidade também está em declínio, principalmente nos trópicos, com uma queda de 30 por cento desde 1992.

No mês passado, o grupo ambientalista WWF disse que o mundo teria de ser 50 por cento maior para ter terra e florestas suficientes para os níveis atuais de consumo e emissões de carbono.

A região Ásia-Pacífico, que abriga mais da metade da humanidade, é fundamental para criar um futuro mais verde, disse o relatório GEO-5. A região é a fonte de crescimento mais rápida das emissões de gases-estufa no mundo e também está se urbanizando rapidamente.

As emissões relacionadas ao transporte deverão aumentar em 57 por cento a nível mundial entre 2005 e 2030, com a China e a Índia responsáveis por mais da metade, segundo o relatório.

A região também enfrenta crescente demanda por água para a agricultura e a indústria, enquanto os níveis aquíferos estarem caindo, de os rios estarem cada vez mais poluídos e dos represamentos para irrigação e geração de energia.

O relatório GEO-5 disse que as metas com objetivos específicos e mensuráveis ?tiveram mais sucesso, como as proibições a substâncias que destroem o ozônio e o chumbo na gasolina.

O relatório também diz que é crucial para os governos colocarem um valor sobre os recursos naturais, tais como manguezais, rios e florestas e incluir isso nas contas nacionais.

Steiner pediu uma ação dos países.

"Chegou o momento de acabar com a paralisia da indecisão, reconhecer os fatos e encarar a humanidade comum que une todos os povos."

(Reportagem de Jeff Coelho e David Fogarty)

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