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ONU defende 'Revolução Verde' para ter segurança alimentar na África

Tecnologia deve ter acesso facilitado ao pequenos agricultores e mudanças climáticas estudadas para adaptação

Reuters

20 Maio 2010 | 14h16

GENEBRA - A África Subsaariana precisa de uma "Revolução Verde", com investimentos em tecnologia agrícola a fim de incrementar a segurança alimentar após décadas de sub-investimento, declarou uma agência da Organização das Nações Unidas (ONU).

 

A Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad) disse em um relatório que a tecnologia e a inovação precisam almejar as necessidades de milhões pequenos agricultores e refletir as condições climáticas sob mudanças, em vez de apenas copiar os avanços da Ásia e da América Latina.

 

A capacidade da África em produzir alimentos caiu em um quinto ao longo dos últimos 40 anos, disse o secretário-geral da Unctad, Supachai Panitchpakdi, em um briefing sobre o relatório.

 

"Houve uma severa deterioração na forma com a qual a agricultura deveria ser tratada, apoiada pelos governos nacionais, pela comunidade internacional e pelo tipo de tecnologia e metodologia de inovação que poderia se provar ser de grande ajuda, como o foi na Ásia", afirmou ele.

 

Falta de investimentos

 

A ausência sustentada de investimento público, exacerbada pela quase exclusão do setor privado na agricultura, deixou muitos países da África, que já foi exportadora de alimentos, dependentes da importação de comida, observa o relatório.

 

A agricultura também é a chave para o combate à pobreza na África, que responde por uma parcela maior da economia do que em outras regiões e pela maior parte dos empregos, disse um dos autores do relatório sobre Tecnologia e Inovação, Angel Gonzalez.

 

A agricultura abrange 16% do produto interno bruto na África, ante 6% na Ásia, enquanto 60% dos empregos tem como base esse setor, onde mais de 95% são pequenos agricultores, disse ele na entrevista coletiva.

 

Acesso à tecnologia

 

Supachai disse que a tarefa crítica era aumentar a produtividade. Iso poderia ser feito adotando tecnologias simples apropriadas para pequenos agricultores como a irrigação gota a gota, de baixo custo, ou usando baldes de plástico para armazenar água da chuva.

 

Os agricultores africanos também deveriam receber ajuda para trabalhar com novas variedades de cultivo. Um exemplo é o "Novo arroz para a África" (Nerica, da sigla em inglês), um híbrido asiático e africano desenvolvido na África com o apoio japonês, que combina resistência à seca com alta produtividade, disse ele.

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