ONU cria plano de emergência por erupção de vulcão em Java

Entidade envia remédios e retira cerca de 100 mil pessoas das comunidades próximas ao Kelud

Efe,

19 de outubro de 2007 | 12h25

Os serviços de emergência das Nações Unidas começaram a mobilizar suas equipes e enviar remédios aos arredores do vulcão Kelud, de onde mais de 100 mil pessoas foram retiradas, e que poderá entrar em erupção a qualquer momento.   "Colocamos nossas equipes em alerta, estamos supervisionando de perto a situação e estamos preparados para assistir ao Governo da Indonésia", disse à agência Efe o diretor do Escritório para a Coordenação de Assuntos Humanitários das Nações Unidas (OCHA, em inglês), Abdul Haq Amiri, em Jacarta.   "O Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) e o Programa Mundial de Alimentos (PMA), que têm escritórios na cidade de Surabaia (Java), já estão fazendo todos os preparativos logísticos para enfrentar uma emergência", acrescentou. Amiri lembrou que "os especialistas mantêm o nível de alerta no máximo".   A OCHA se mantém em contato permanente com o Serviço Nacional de Emergência da Indonésia, onde pelo menos 100 mil pessoas foram retiradas das imediações do Kelud nos últimos dias, embora alguns tenham retornado a suas casas.   A Direção de Vulcanologia e Gestão de Riscos Geológicos de Blitar, responsável pelo monitoramento do vulcão, afirmou que a atividade continua intensa, embora o número de tremores na cratera tenha diminuído.   A temperatura a 15 metros de profundidade na cratera chegou a 38 graus, e o processo de deformação da boca do vulcão também está se intensificando.   Segundo um comunicado divulgado hoje pela ONG internacional Hope, cerca de 500 mil pessoas estão em situação de risco, e "muitos residentes retornaram a seus lares após ser evacuados por medo que sejam roubados".   "Estão sendo realizados esforços para deixar livre o espaço para os 30 milhões de litros cúbicos de lava ardente que podem ser expelidos se ocorrer a erupção", afirma a nota de Hope. "A chuva de cinzas, gases venenosos, lama quente, lava e terremotos são riscos imediatos para a população, que necessitará de refúgios, comida, água e assistência sanitária", diz a ONG.   A ONG diz que boa parte da população local confia, mais que nos vulcanólogos, no "vigia espiritual" do vulcão, um homem de 64 anos chamado Mbah Ronggo que ontem previa a erupção, "mas não hoje", segundo o jornal The Jakarta Post.   De acordo com a Hope, estas superstições obrigaram as autoridades a enviar pessoal armado à região para obrigar os moradores a sair do local.   O Kelud, de 1.713 metros de altura, é considerado um dos dez vulcões mais perigosos do mundo. Sua última erupção, em 1990, matou 16 pessoas. Em 1919, os mortos foram cerca de 5 mil.   A Indonésia está situada sobre o chamado Anel de Fogo do Pacífico e tem mais de 400 vulcões, dos quais 129 estão ativos.

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