ONU crê em acordo em Copenhague, mas já não espera tratado

ONGs dizem que países estão usando indefinição dso EUA como pretexto para não enfrentar a crise global

EFE,

06 Novembro 2009 | 14h58

O responsável da ONU para a mudança climática, o austríaco Yvo de Boer, disse que os países podem chegar a um grande acordo na conferência de Copenhague, mas reconheceu que não deve haver a ratificação de um tratado internacional, o que exigiria mais tempo.

 

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De Boer afirmou em entrevista coletiva que Copenhague será um "ponto de inflexão" e adiantou que pelo menos 40 chefes de estado estarão presentes à reunião.

 

Desta forma, o representante da ONU tenta romper o desânimo existente depois da reunião preparatória para Copenhague ocorrida esta semana em Barcelona, durante a qual ficou claro que, se os Estados Unidos não estabelecerem uma meta clara para limitar suas emissões de gases poluentes, não haverá um acordo de cumprimento obrigatório.

 

Apesar de a oferta americana depender da lei ambiental em tramitação no Senado americano, para possível aprovação em 2010, De Boer disse acreditar que o governo dos EUA se comprometerá com uma meta em Copenhague e ajudará no financiamento do combate à mudança climática nos países em desenvolvimento.

 

O austríaco disse que será necessário aprovar um plano de ajuda de US$ 10 bilhões anuais para que os países em desenvolvimento possam controlar suas emissões e melhorar suas estratégias de adaptação.

Segundo De Boer, a reunião da capital dinamarquesa deve servir para estabelecer um meio de "dividir despesas".

 

"O número que o presidente (dos EUA, Barack) Obama der será importante, será um sinal vital no processo internacional", disse o representante da ONU, que disse confiar em que os americanos revelarão seus objetivos "no médio e longo prazo".

 

Mesmo que não haja a assinatura de um tratado em Copenhague, De Boer insistiu em que haverá um marco, seguramente político - sem determinar o grau de vinculação -, que incluirá os compromissos de redução de emissões dos governos ricos até 2020.

 

Além disso, o representante da ONU assegurou que a cúpula dinamarquesa servirá para marcar as limitações dos Estados em desenvolvimento e emergentes, assim como o apoio financeiro que estes últimos receberão e o sistema de controle das ajudas.

 

Em qualquer caso, lembrou aos governos que existe o compromisso adotado em Bali de fixar as reduções para o período 2012-2020.

 

ONGS ainda têm esperança

 

Algumas das principais organizações de defesa do meio ambiente acham que ainda há tempo para chegar a um acordo na cúpula de Copenhague, apesar das expectativas negativas geradas na conferência preparatória de Barcelona.

 

Neste sentido, a ONG Intermon-Oxfam alertou que a União Europeia (UE) deve se afastar dos Estados Unidos ou arriscará perder um acordo climático sólido e sobre o qual esteve trabalhando durante dois anos.

 

A organização disse acreditar que é possível fechar um acordo "justo e seguro" em Copenhague ainda neste ano, "mas os líderes políticos do mundo não podem esperar enquanto os EUA tentam se colocar no mesmo nível" de redução de emissões de gás carbônico (CO2) entre 2012 e 2020.

 

"Os países ricos estão usando claramente os EUA como desculpa para pôr seus interesses nacionais à frente do sofrimento dos milhões de pessoas que, por culpa da mudança climática, passam fome, perderam suas casas, seus meios de sobrevivência ou até sua vida", declarou José Antonio Hernández de Toro, porta-voz da Intermon.

 

A WWF pediu responsabilidade aos líderes políticos para concretizar o que pode ser conseguido em Copenhague, "superando esta postura negativa a fim de salvar o mundo de um aumento catastrófico das temperaturas".

 

A entidade considera que os líderes ainda têm tempo de agir de forma adequada e denuncia que, "enquanto os países desenvolvidos abaixaram o nível de suas expectativas sobre o tratado, o resto do mundo as aumentou".

 

"Barcelona não conseguiu um resultado substancial, e é realmente uma pena. No entanto, o mais importante não é o fator tempo, mas a vontade política, e isso pode ser mostrado em questão de segundos", afirmou o líder da iniciativa sobre o clima da WWF, Kim Cartensen.

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