ONU confia em acordo 'histórico' em Copenhague

Para secretário-executivo da conferência, que começa amanhã, nunca tantos países mostraram disposição de lutar contra o aquecimento global

John Acher e Anna Ringstrom, Reuters

06 Dezembro 2009 | 18h28

A Organização das Nações Unidas afirmou que a Conferência do Clima de Copenhague (COP15), maior negociação sobre a questão climática da história, precisa levar a um acordo abrangente e ambicioso, que contemple os compromissos já anunciados por governos na luta contra o aquecimento global. “Acredito que os negociadores receberam um sinal claro até dos líderes mundiais para esboçar uma pauta sólida de propostas com vistas a ações imediatas”, disse hoje Yvo de Boer, secretário-executivo da COP15, que começa oficialmente amanhã. “Nunca nestes 17 anos de negociações sobre o clima tantas nações diferentes adotaram compromissos tão sólidos. Quase todos os dias países anunciam novas metas ou planos de ação para cortar as emissões de carbono.”

“Chegaremos a um acordo. E acredito que esse acordo será assinado por todos os membros das Nações Unidas, o que será um feito histórico”, disse o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, em entrevista à imprensa dinamarquesa.

 

Há muita coisa em jogo em Copenhague. Cientistas dizem que o planeta está em processo de aquecimento por causa da emissão de agentes causadores do efeito estufa, provocada pela queima de combustíveis fósseis e pelo desmatamento maciço.

A ONU afirma que o mundo precisa de um pacto climático mais rígido, para conter a alta da poluição por gás carbônico. Para as Nações Unidas, falhar nessa tarefa levaria a um ambiente de perigosas mudanças climáticas, com aumento do nível dos oceanos, derretimento de geleiras e outros eventos extremos capazes de desestabilizar economias e relegar milhões de pessoas à condição de refugiados climáticos.

Num sinal claro de apoio aos objetivos da COP15, 105 chefes de Estado prometeram participar da etapa final da conferência, que vai durar ao todo duas semanas, etapa crucial para se chegar a um acordo após anos de debate sobre quem deve arcar com o custo do corte de emissões.

Países pobres acusam as nações desenvolvidas ficaram ricas graças à exploração de reservas de petróleo, gás e carvão e são as grandes responsáveis pelo lançamento de gases do efeito estufa na atmosfera. A questão é que hoje países em desenvolvimento respondem por mais da metade das emissões do planeta. Para a ONU, todos os países têm um papel a desempenhar no combate ao aumento da poluição. Nas últimas semanas, China, India, Indonésia e outros países anunciaram metas que aumentaram o otimismo quanto à possibilidade de um acordo em Copenhague.

Para a ONG ambientalista Greenpeace, ainda falta vontade política para o sucesso da COP15. “As negociações sobre mudança climática nunca tiveram um ambiente tão favorável. Isso não pode ser desperdiçado”, disse o diretor-executivo do Greenpeace, Kumi Naidoo.

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