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ONU afirma que negociações estão 'lentas demais'

A três dias do fim da cúpula, líderes mundiais são pressionados para chegar a um acordo

AP, BBC e REUTERS

15 Dezembro 2009 | 15h42

O chefe da cúpula da ONU para o clima, Yvo de Boer, cobrou nesta terça-feira mais ação dos representantes de 192 países reunidos em Copenhague e disse que as negociações estão caminhando num ritmo "lento demais". "Na semana passada, tivemos avanços significativos em várias áreas, mas não o suficiente. Estamos numa fase muito importante e ainda temos uma quantidade imensa de trabalho pela frente", disse Boer. A conferência (COP-15) tem apenas mais quatro dias de negociação, já que termina na sexta-feira (18/12).

 

Boer reconheceu que "leva tempo" colocar de acordo 192 países, que incluem ilhas do Pacífico "que podem desaparecer se o nível do mar subir", produtores petrolíferos "que temem por sua economia", nações ricas "que não querem perder emprego" e emergentes "que querem erradicar a pobreza".

 

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E não foi apenas o chefe da ONU que elevou o tom para pressionar os negociadores. A presidente da COP, a dinamarquesa Connie Hedegaard,  disse esperar que o prazo apertado acrescente urgência às negociações e ajude a romper o impasse. "O mesmo acontece com as crianças na escola. Quando elas têm um prazo muito longo para entregar uma lição de casa, esperam até o último minuto para terminá-la", disse Hedegaard, prevendo que as decisões serão tomadas apenas na sexta-feira. " As próximas 48 horas serão críticas para que a reunião de Copenhague tenha êxito."

 

A pressão dos chefes da COP -- e também a do relógio -- foi sentida por todos os negociadores, que tentam fechar acordos prévios antes da reunião dos chefes de Estado, no último dia da COP.  "A chegada iminente de bem mais de cem líderes afeta totalmente a negociação", disse o enviado dos Estados Unidos Todd Stern. "Todos que têm o chefe chegando estão particularmente ávidos para ter as coisas na melhor forma possível. Então acredito que isso está colocando pressão, mas é provavelmente uma pressão saudável." 

 

Os negociadores desperdiçaram tempo precioso na segunda-feira (14/12), quando o Grupo dos 77 (G-77), que inclui países mais pobres e grandes economias emergentes, como Brasil, China e Índia, deixaram as negociações, acusando os países industrializados de tentar matar o Protocolo de Kyoto, levando à suspensão das negociações. 

 

Os grupos de trabalho se reuniram no início desta terça-feira e deveriam se reportar a todos os delegados em um encontro no fim da tarde. No entanto, as discussões caminham de forma mais lenta que o previsto, por causa das tensões sobre quem deve cortar as emissões de dióxido de carbono e quem deve pagar por isso.

 

Mais de 110 líderes mundiais devem se juntar às negociações na quinta e na sexta-feira, com alguns, incluindo o premier britânico, Gordon Brown, já chegando na cidade hoje. Eles devem tomar as decisões finais para engajar seus países em um novo acordo para limitar o aquecimento global.

 

 

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