Paulo Whitaker/REUTERS
Paulo Whitaker/REUTERS

ONGs propõem corte de 35% das emissões de gás carbônico

Grupo que reúne 34 organizações quer que Brasil assuma compromisso de redução até 2030 na Conferência do Clima

Fábio de Castro, O Estado de S. Paulo

27 Junho 2015 | 15h15

Antecipando-se ao governo brasileiro, o Observatório do Clima (OC) - grupo que reúne 37 ONGs ambientalistas - divulgou nesta sexta-feira, 26, em São Paulo, uma proposta alternativa de metas para a redução das emissões de gases de efeito estufa a ser apresentada à Conferência do Clima de Paris (COP-21) neste ano. Por esse cálculo, o Brasil teria de cortar 35% das emissões de gás carbônico até 2030, em relação às de 2010, ano do mais recente inventário.

O OC sugere que o País reduza as emissões de 1,5 bilhão de toneladas de gás carbônico equivalente, registradas há cinco anos, para 1 bilhão.

A COP-21 será realizada de 30 de novembro a 11 de dezembro, e o limite para a apresentação das propostas é 1o de outubro. Até agora, porém, apenas 39 países divulgaram oficialmente suas metas, incluindo os 28 da União Europeia, os EUA e a Rússia. O objetivo é chegar a um acordo climático que permita manter o aumento das temperaturas médias globais abaixo de 2°C - limite máximo estabelecido por cientistas e governos para evitar impactos catastróficos.

A proposta do OC também sugere que as emissões globais sejam neutralizadas até 2050 e que, a partir de 2020, as emissões de CO2 per capita do Brasil permaneçam sempre abaixo da média per capita global. Além de propor as metas, os ambientalistas também listaram um conjunto de providências necessárias para que elas sejam atingidas, envolvendo boas práticas e mudanças consideradas factíveis nos setores de eletricidade, transportes e agropecuária. Os cálculos se basearam em projeções econômicas e demográficas.

Segundo Tasso Azevedo, coordenador do Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa (Seeg) do OC, embora seja ousada, a proposta é plenamente realizável. “Estabelecemos a meta necessária e depois estudamos como chegar a ela. Estamos mostrando que é possível atingir esses valores sem parar o desenvolvimento nem prejudicar a economia”, afirmou. “Queremos assegurar à presidente Dilma Rousseff que ela pode assumir essa meta para a redução de emissões porque temos condições de implementá-la.”

De acordo com o secretário executivo do OC, Carlos Rittl, além de ser realizável - graças às tecnologias disponíveis -, a proposta representa uma oportunidade estratégica para a economia do País. “Estamos falando em esforços e não em sacrifícios. Há um custo inicial para transição, mas com ganhos claros no médio e longo prazo.”

Medidas. A lista de providências inclui zerar o desmatamento, recuperar áreas degradadas, investir em fontes renováveis de energia, ampliar a eficiência energética e generalizar a agricultura de baixo carbono.

METAS DOS PAÍSES

Suíça (27 de fevereiro)

Até 2030, reduzir 50% das emissões, com base em 1990 (47 megatoneladas de CO2  equivalente).

Europa (6 de março)

Até 2030, reduzir 40% das emissões de 1990 (4.263 MtCO2e).

Noruega (27 de março)

Até 2030, reduzir 40% das emissões de 1990 (26 MtCO2e).

México (30 de março)

Até 2030, reduzir 25% das emissões de 1990 (723 MtCO2e). 

EUA (31 de março)

Até 2025, reduzir de 26% a 28% das emissões registradas em 2005 (6.135 MtCO2e).

Rússia (1º de abril)

Até 2030, reduzir 25% das emissões de 2005 (2.216 MtCO2e).

Canadá (15 de maio)

Até 2030, reduzir 30% das emissões de 2005 (847 MtCO2e).

Brasil (proposta não-oficial)

Até 2030, reduzir 35% das emissões de 2010 (1.545 MtCO2e).

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