ONGs devem pressionar governos por acordo climático

Ambientalistas defendem repasse de US$ 195 bi para os países em desenvolvimento combaterem as mudanças

Agência Brasil,

07 Dezembro 2009 | 12h16

Do lado de fora das salas onde negociadores de mais de 190 países tentarão chegar a um consenso sobre o novo acordo climático global, as organizações não governamentais que vão participar da a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP-15) em Copenhague devem reforçar a pressão sobre os líderes dos países para garantir algum sucesso nas negociações sobre o futuro do Protocolo de Kyoto.

 

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Desta segunda-feira, 7, até o dia 18, a missão dos países será definir as novas metas de redução de emissões de gases de efeito estufa para os países desenvolvidos, os compromissos para os países em desenvolvimento e questões como transferência de tecnologia e financiamento de ações de mitigação e adaptação às mudanças do clima.

 

Manifesto divulgado pela Climate Action Network (CAN), rede de mais de 450 organizações ambientalistas, cobra resultados efetivos de Copenhague e alerta para a urgência dos riscos do aquecimento do planeta. As ONGs, que costumam movimentar as COPs com protestos e manifestações diárias, defendem o repasse de pelo menos US$ 195 bilhões por ano para que países em desenvolvimento enfrentem as mudanças do clima.

 

Ativistas da ONG TckTckTck fazem manifestação durante coletiva de imprensa em Copenhague

 

Diante do risco de fracasso da reunião, que já começa sem esperanças de um acordo definitivo, a rede de ONGs defende a manutenção do Protocolo de Quioto - com ampliação da vigência do documento - até que um novo regime global para o clima seja acertado pelos países.

 

A porta-voz da Oxfam Internacional em Copenhague, Katia Maia, defende que da COP-15 saiam compromissos mais firmes dos países desenvolvidos, com medidas e recursos para facilitar a adaptação dos mais pobres às consequências do aquecimento do planeta.

 

"Os países ricos têm que mostrar propostas concretas e decentes à humanidade, em especial às pessoas pobres do mundo, que são e continuarão sendo as mais impactadas pelas mudanças. Os países em desenvolvimento, como o Brasil, têm que se unir à demanda global por esse acordo ambicioso e justo que beneficie os mais pobres e assumir responsabilidades dentro do seu próprio território para ajudar as comunidades mais vulneráveis", sugere.

 

Otimista, o coordenador do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), Paulo Moutinho, acredita que o anúncio de compromissos de redução de emissões feitos pelos Estados Unidos, pela China e Índia nas últimas semanas aumentou as chances de sucesso em Copenhague.

 

Moutinho lista a definição das regras para o mecanismo de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação (Redd) e a necessidade dos países ricos aceitarem metas ambiciosas de corte de emissões como prioridades da reunião. "É preciso avançar também em adaptação. Temos que nos preparar para um mundo que será mais aquecido. O planeta precisa continuar habitável, precisamos combinar adaptação e mitigação para garantir isso", avalia. "Tomara que os negociadores tenham juízo", acrescenta.

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