ONG oferece prêmio para a criação de carne artificial

Uma inspiração é o prêmio Ansari X, que produziu a primeira espaçonave de financiamento privado

The New York Times,

21 de abril de 2008 | 17h17

A Pessoas por um Tratamento Ético de Animais (Peta) querem pagar um milhão de dólares por carne falsa - mesmo que isso tenha causado uma quase "guerra civil" na organização.   A organização disse que anunciaria planos nesta segunda-feira, 21, de um prêmio de um milhão de dólares para a "primeira pessoa a descobrir um método de produzir quantidades comercialmente viáveis de carne 'in vitro' a preços competitivos até 2012."   A idéia de tirar o próximo nugget de frango de um tubo de ensaio não é nova. Por muitos anos, cientistas têm trabalhado para desenvolver tecnologias de crescimento de tecidos em cultura que pudessem ser consumidos como carne, sem os gastos com terra e alimentação, além do potencial de transmissão de doenças das carnes reais. Um simpósio internacional foi conduzido neste mês na Noruega. O tecido, uma vez crescido, poderia ser adaptado a formas e texturas de carnes através de aditivos, como os usados hoje em dia para dar uma textura de carne aos hambúrgueres de soja.   New Harvest, uma organização sem fins lucrativos formada para promover a área, diz em seu site na web, "como os substitutos de carne são produzidos sob situações controladas impossíveis de se manter em fazendas animais tradicionais, eles podem ser mais seguros, mais nutritivos, menos poluentes e mais humanos que a carne tradicional."   Jason Matheny, um estudante de doutorado na Universidade Johns Hopkins que formou a New Harvest, disse que a idéia de um prêmio para pesquisadores é promissora. Citando o exemplo do prêmio Ansari X, uma competição que produziu a primeira espaçonave de financiamento privado, Matheny disse, "eles inspiram mais dólares gastos em um problema de pesquisa do que a quantia do prêmio."   Uma fundadora do Peta, Ingrid Newkirk, disse esperar conseguir envolver a organização no avanço da tecnologia de carnes in vitro por ao menos uma década.   Mas, Newkirk disse, a decisão de criar um prêmio causou uma "quase guerra civil em nosso escritório", pois muitos membro do Peta consideravam repugnante o fato de comer tecido animal, mesmo que nenhum animal tivesse sido morto.   Lisa Lange, vice presidente da organização, disse ter sido parte das discussões acaloradas. "Minha preocupação principal é que, como a maior organização dos direitos animais do mundo, é nosso trabalho introduzir a filosofia de que animais não são nossos para comermos." Lange acrescentou, "Eu me lembro de dizer que ficaria muito mais confortável promovendo o consumo de carne de animais atropelados."   Newkirk disse que a discordância foi natural, acrescentando, "nós teremos membros que nos deixarão por isso."   "As pessoas dizem que os partidários dos direitos animais não podem concordar", disse. "Bem, seres humanos não podem concordar. Em qualquer comunidade de causas sociais, há pessoas que batalham pela pureza."   Sua meta, ela diz, era mais pragmática. "Nós não nos importamos em tomar posições desconfortáveis se isso significar menos animais sofrendo." Dessa maneira, "carnes in vitro são um presente divino." Para alguns que já trabalham no meio, a notícia foi recebida de maneira calorosa.   Henk P. Haagsman, professor na Universidade de Utrecht, na Holanda, e um pioneiro na pesquisa de carnes in vitro, disse aceitar a competição pelo prêmio. "Isso irá estimular o interesse pelo investimento em tecnologia, esperamos", disse Haagsman.   Mas ele disse que não gostaria de ver o campo de pesquisa dominado pela bandeira da proteção dos animais, uma vez que questões ambientais e de saúde pública são tão "importantes para essa pesquisa." A Holanda investiu US$ 5 milhões (R$ 8,3 milhões) em pesquisas de carnes in vitro.   Outro cientista em Utrecht, Bernard Roelen, disse via e-mail que estava "bastante surpreso" com a notícia da competição, mas disse que mesmo com financiamento pesado, seria extremamente difícil produzir quantidades viáveis comercialmente de carne in vitro antes de 2012. Roelen acrescentou, "para mim como um pesquisador, o anúncio não significa muito."   Por que não? "Eu pesquiso porque quero entender mecanismos fundamentais", disse, "não para conseguir fortuna."

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